sexta-feira, 24 de abril de 2026

Como vender seus desenhos em plataformas Print on Demand (POD)? Um pequeno guia para artistas iniciantes sobre como começar a vender o seu trabalho – parte 1

Arte Leah - Stardew Valley vendida no Redbubble, Teepublic, Threadless e Colab55

 

Esse é um texto que eu estava com vontade de escrever há algum tempo. E honestamente? Eu gostaria de ter lido algo assim quando comecei a trilhar o meu caminho através das plataformas Print on Demand. Inicialmente, eu iria fazer apenas um post sobre o assunto, mas como o texto ficaria muito longo, eu decidi dividi-lo em várias partes.

Quando o desenho passou a ser uma parte importante dos meus dias, mais ou menos em 2018/2019, eu comecei a me interessar por plataformas em que eu pudesse comercializar o meu trabalho. Foi quando eu descobri o mundo das plataformas Print on Demand. Essas plataformas são sites onde artistas podem colocar os seus desenhos para serem vendidos em forma de produtos como canecas, camisas, quadros, etc. Internacionalmente, temos o Redbubble, Teepublic e o Threadless, entre outras. No Brasil, eu acho que a mais conhecida é o Colab55.

Como essas plataformas funcionam?
O artista recebe uma porcentagem de cada item vendido que contenha uma arte sua. Dependendo da plataforma, o artista não tem nenhum custo, e o seu único trabalho é colocar a sua arte no site. A grande vantagem é que o artista não tem o trabalho de fabricar o item, pensar em estoque ou na logística da entrega — ele só precisa pensar na sua arte e no seu processo criativo.

De fato, parece ser um ótimo negócio, mas, com o passar do tempo, eu aprendi que nem tudo era tão simples assim. Essas plataformas têm milhares de artes e artistas. Ou seja, muita concorrência. Então, ser encontrado pode ser um pequeno desafio. Outro ponto que eu considero negativo são as porcentagens que os artistas recebem (que ficam na faixa de 10% do valor do produto). Com o tempo, eu entendi que o meu trabalho não era apenas desenhar, mas também trabalhar na qualidade do arquivo que eu enviava para a plataforma, pensar em títulos, tags, boas descrições e conhecer um pouco sobre marketing.

Nesse primeiro post, eu falarei sobre as plataformas que eu conheço e mais uso. Atualmente, eu trabalho com quatro plataformas: Redbubble, Teepublic, Threadless e Colab55.

Aquarela O Rabanete

 

Redbubble – “A” Plataforma

O Redbubble foi a primeira plataforma internacional em que eu entrei. Eu acho que ela é uma das maiores do mundo atualmente e ela mudou muito desde quando eu ingressei nela, por volta de 2018.

Hoje, ela tem taxas e uma espécie de classificação dos artistas que, honestamente, eu não entendo exatamente como funciona. Quando eu entrei na plataforma, isso não existia. Agora, além dessa classificação que dá certos benefícios para algumas categorias, o artista paga uma pequena taxa por cada item vendido, que é descontada diretamente do seu pagamento. Honestamente, eu não sei como seria entrar na plataforma atualmente com todas essas mudanças, mas quando eu ingressei, o processo foi muito tranquilo, mesmo sendo a minha primeira experiência com uma plataforma internacional.

Sobre o layout do site e os produtos, o Redbubble tem uma gama muito grande de itens, que variam de camisetas a colchas, canecas e aventais. São muitas possibilidades. Colocar a arte na plataforma é relativamente simples: você pode alterar a cor do fundo se a sua arte tiver fundo transparente e, além disso, há uma ferramenta que permite transformar a sua arte em rapport (estampa) sem precisar acrescentar um novo arquivo.

Outra coisa interessante é que eles têm convênios com certas marcas que permitem que o artista crie artes licenciadas para serem vendidas no Redbubble. Esse tipo de arte é analisado por mais ou menos três meses, e depois eles te avisam se o seu desenho foi aceito ou não pelo programa.

As desvantagens do Redbubble

Como eu comentei acima, eu não sei como seria ingressar na plataforma em 2026 com todas essas mudanças. Mas ainda é um lugar interessante para expor o seu trabalho.

As desvantagens, para mim, seriam a forma de pagamento do Redbubble: o valor só é liberado caso você tenha atingido o mínimo de 20 dólares acumulados no mês. Caso não alcance esse valor, o pagamento é retido até o mês seguinte.

Outro ponto complicado em relação ao Redbubble é a questão de direitos autorais. Eles levam isso muito a sério e, por isso, muitas fan arts são retiradas sem aviso prévio. Por isso, é melhor tomar cuidado.

Arte Digital Dragon Noddles

 

Teepublic – A alternativa

Eu ingressei no Teepublic depois do Redbubble, e a minha experiência foi completamente diferente. O processo foi um pouco mais estressante do que eu esperava, mas, para mim, valeu a pena — tanto que uso a plataforma até hoje.

O primeiro ponto foi o fato de que o Teepublic só vendia camisetas e, a princípio, isso me parecia uma plataforma com um nicho mais específico. Mas, desde que a plataforma foi comprada pelo Redbubble, ela passou a ter mais itens, como canecas, bermudas e bonés, por exemplo.

Mas o principal problema que eu tive ao entrar no Teepublic foi que a minha loja não era visualizada dentro da plataforma. Eu colocava minhas artes, mas elas não apareciam nas buscas. Na época, eu fiz uma grande pesquisa na internet para entender como isso funcionava e li diversas opiniões diferentes. Alguns falavam que era necessário ter um certo número de artes na plataforma, outros diziam que o que contava era o tempo de atividade da loja. No fim, sem saber ao certo o que fazer, eu mandei um e-mail para eles, e a minha loja passou a ser exibida.

Assim como no Redbubble, colocar a sua arte na plataforma é muito simples. Eu diria que é até mais simples, e com apenas um arquivo, praticamente todos os itens já ficam prontos. Se a sua arte tiver fundo transparente, você também pode modificar a cor do fundo e, em poucos passos, ela já estará estampando camisetas e outros produtos.

Para mim, a grande vantagem do Teepublic é o pagamento. Diferente do Redbubble, tudo o que você vender é pago mensalmente, no dia 15, sem valor mínimo.

As desvantagens do Teepublic

O foco da plataforma ainda é camiseta, então alguns desenhos podem não funcionar muito bem nesse tipo de produto. Além disso, o fato de você passar um tempo sem aparecer nas buscas quando começa na plataforma pode ser desafiador. Até hoje, eu não consegui entender exatamente o que é necessário para ser “encontrado”. No geral, porém, é uma plataforma muito simples e intuitiva para quem está começando.

Lettering Ela é minha menina

 

Threadless – A social

Se eu não me engano, eu entrei no Threadless em 2023, e eu gosto bastante da plataforma. Ela tem taxas pequenas, se comparada ao Redbubble, um layout simples de usar e uma boa variedade de produtos. Outro ponto interessante é que ela tem pequenos desafios dentro da plataforma, onde você pode inscrever os seus desenhos e, se for um dos mais votados, pode ganhar prêmios, além de mais exposição.

Ela é menor do que as outras duas, mas já está no mercado desde 2000 e é uma boa forma de começar.

As desvantagens do Threadless

Das três, atualmente, ela talvez seja a melhor para quem está começando. Não tem grandes taxas, não tem classificação de artistas e é bastante amigável. Se eu pudesse apontar uma desvantagem, seria o tempo de liberação dos pagamentos. Não há valor mínimo, mas os ganhos ficam retidos por um período maior, o que pode tornar o processo mais lento. O pagamento é feito no dia 18 de cada mês.

Arte Digital Folhas de Sonho - Rita Lee

 

Colab55 – A nacional

Antes de entrar no Redbubble, eu me aventurei no Colab55. A grande vantagem é a língua. Como você cria para o público do seu país, é muito mais fácil pensar em frases e ideias que façam sentido para quem fala a mesma língua que você.

Outro ponto importante é que é uma plataforma fácil de entrar, não tem taxas extras para o artista e também não exige valor mínimo para pagamento. No Colab55, os pagamentos são feitos no último dia de cada mês.

As desvantagens do Colab55

A primeira, para mim, é o pagamento em real e não em dólar. Muitas vezes, é preciso vender muito mais itens para alcançar o valor de uma única venda em plataformas internacionais.

Outro ponto negativo é que você precisa criar uma arte diferente para cada produto que quiser vender. Isso demanda mais tempo e trabalho. Por isso, uma dica importante — principalmente se você usar o Colab55 — é criar templates para a sua arte. Assim, fica mais fácil adaptar para os diferentes produtos exigidos pela plataforma.

Resumo final

Esse foi um pequeno apanhado das plataformas que eu uso atualmente. Eu já testei outras, mas acabei saindo porque senti que não valia o tempo investido em tantas plataformas ao mesmo tempo.

Para quem está começando, eu diria para começar pelo Colab55, se acostumar com esse tipo de plataforma, depois ir para o Threadless e, em seguida, Teepublic e Redbubble.

Eu sei que algumas plataformas mudaram muito com o tempo, mas ainda acredito que elas oferecem boas oportunidades — principalmente se você gosta de criar pensando em nichos. Mas isso fica para um próximo post.

No próximo texto, eu falarei sobre títulos, tags e descrições. Pode não parecer, mas isso é muito importante.

Até a próxima,
Thaís

sexta-feira, 17 de abril de 2026

Desenho da semana – Cogumelos em lápis de cor e aquarela

Aquarela Cogumelos e Caracol - Thaís Melo 2026

 

O que eu gosto de desenhar quando não preciso pensar em mais nada? Eu não preciso pensar se será bem aceito pelas outras pessoas ou se é um desenho “vendável”? O que eu gosto de desenhar, simplesmente porque eu gosto? E a resposta para essa pergunta é: cogumelos.

Eu passei muito tempo desenhando apenas em preto e branco, e desde que comecei a desenhar com cores, os cogumelos têm sido o meu tema favorito. Eu sempre gostei de um toque de surrealismo, então desenhar com muitas cores, usando formas diferentes e criando algo mais lúdico, tem sido muito bom para mim.

O desenho dessa semana foi exatamente isso: desenhar o que eu gosto. Normalmente, esse tipo de desenho é mais demorado e muito mais tranquilo de ser feito. É como se a minha mente relaxasse um pouco mais e tudo fluísse. Quando eu faço esse tipo de desenho, não existem erros, apenas “felizes acidentes”. Essa frase do Bob Ross está sempre presente na minha mente enquanto eu desenho…

Um criativo final de semana, e tente desenhar algo que de fato você goste ;)

Até a próxima,
Thaís

Para saber mais:
Originais e miniaturas na minha loja no Elo7
Desenhos e artes digitais no meu studio no Colab55

Materiais usados para esta aquarela (Amazon):
Papel para aquarela
Paleta para aquarela Pentel
Paleta para aquarela Artools
Lápis de cor Faber-Castell

 

sexta-feira, 10 de abril de 2026

O Caminho do Artista – um resumo

Livro O Caminho do Artista - Julia Cameron

 

Eu acho que conheci o livro O Caminho do Artista por volta de 2018. Naquele momento, muita gente estava fazendo resenha sobre o livro e não demorou muito para eu ficar curiosa sobre o assunto. Afinal de contas, o livro fala sobre criatividade, e esse é um assunto que eu sempre me interessei muito. No Natal de 2019, eu ganhei o livro de presente e, em janeiro de 2020, eu comecei a lê-lo.

Sobre o que fala o livro?

O Caminho do Artista fala sobre criatividade. E também explica como nós, seres criativos, devemos nos reconectar com o nosso artista interior. Apesar do nome, O Caminho do Artista não é um livro voltado apenas para artistas, mas sim para qualquer pessoa que deseja se reconectar com a sua própria criatividade.

Como funciona o livro?

O livro é uma espécie de programa que dura 12 semanas. A cada semana, além de temas específicos, você tem tarefas e sugestões de práticas para ajudá-lo a acessar a sua criatividade. As duas orientações básicas do livro, e também as mais comentadas, são as páginas matinais e o encontro com o artista.

 


 

O que são as páginas matinais?

As páginas matinais nada mais são do que escrever o que vier à sua mente por 3 páginas inteiras todas as manhãs. Não uma ou duas páginas, mas pelo menos três páginas. A autora explica que essas páginas são uma forma de aliviar o estresse e as preocupações da vida colocando tudo no papel. Essa é a prática que eu mantenho até hoje, seis anos depois de ter lido o livro pela primeira vez. Eu confesso que nem sempre escrevo as três páginas, mas procuro manter o hábito. De fato, para mim, escrever funciona como uma válvula de escape e também um pequeno laboratório de novas ideias. Definitivamente, foi a minha parte favorita do livro!

 


 

 O que é o encontro com o artista?

O encontro com o artista é um encontro que você faz com você mesma toda semana. O mais importante desse encontro é fazê-lo, de preferência, sozinha e que seja algo divertido. Algo que a sua criança interior gostaria de fazer. Pode parecer complicado, mas é algo simples, e o livro dá diversas sugestões do que você pode fazer.

O encontro com o artista é algo que, dependendo da semana, para mim é um pouco difícil de ser cumprido, mas eu admito que ele ajuda muito no processo. Você redescobre interesses perdidos, aprende coisas novas e toda a experiência, de fato, ajuda a redescobrir a sua criatividade. De todos os encontros do artista que eu fiz, dois foram especialmente divertidos: sair para andar na praia — e nesse dia eu encontrei diversas conchas! — e o dia em que eu fiquei algumas horas fazendo colares coloridos com contas e miçangas.

Como podem ver, o encontro com o artista não é para ser algo caro ou complicado, mas é algo para você fazer com o seu pequeno artista interior. Uma boa dica é pensar no que você gostava de fazer quando era criança. Talvez você gostasse de colorir, usar adesivos, colecionar folhas etc., e esse é o caminho.

Qual foi a minha experiência com o livro?

Como eu comentei, eu li o livro pela primeira vez em 2020 e foi uma leitura muito importante para mim. Estávamos no começo da pandemia e foi importante ter algo com que eu me dedicasse naquele momento. Durante essa leitura, eu realizei todos os encontros com o artista dentro de casa. Então, tive o encontro com as contas e as miçangas. Teve momentos em que eu assei bolo ou tentei fazer croissant. Eu também bordei e costurei como parte dos meus encontros. Nessa primeira leitura, eu aprendi bastante e percebi vários bloqueios que eu adquiri com o passar dos anos com relação ao que era ser artista.

A segunda vez que eu li o livro foi no ano passado. Dessa vez, eu saí mais nos meus encontros com o artista, como, por exemplo, caminhar na praia, andar no parque ou ir até um brechó e encontrar algo muito barato e divertido para mim. No caso, foi uma pequena caixa de madeira. Nessa época, eu decidi reler o livro, pois estava me sentindo estagnada criativamente, e foi ótimo voltar a pensar em criatividade. O mais impressionante é que o livro me parecia completamente novo. Mais questões apareceram para mim, e terminei as doze semanas com ideias novas e me sentindo muito mais confiante com a minha criatividade e, por consequência, com os meus desenhos.

Vale a pena ler o livro?

Definitivamente! Mesmo que você não trabalhe com algo diretamente ligado à criatividade, somos seres humanos e naturalmente criativos. Ele é um convite para nos reconectarmos com as coisas divertidas da vida e, para mim, desenhar é isso. Atualmente, eu decidi reler o livro. Quando senti que estava com preguiça de escrever as minhas três páginas matinais, achei que estava na hora de relembrar o motivo pelo qual eu escrevo todas as manhãs.

Independente de você ser artista ou não, O Caminho do Artista é um convite para olharmos para a nossa vida com outros olhos. Talvez com olhos mais curiosos e aprendermos a aceitar que levar a vida com um pouco mais de criatividade pode ser um ótimo caminho a seguir.

Até a próxima,

Thaís