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sexta-feira, 1 de maio de 2026

Como vender seus desenhos em plataformas Print on Demand (POD)? Um pequeno guia para artistas iniciantes sobre como começar a vender o seu trabalho – parte 2


Arte Digital Mariposa Mística Café - por Thaís Melo

 

Na parte 2 dessa série de posts sobre como vender os seus desenhos em plataformas Print on Demand (POD), eu irei falar um pouco sobre a importância de saber escrever bons títulos, tags e definições para os seus desenhos.

Quando eu comecei a criar arte para esse tipo de plataforma, eu não me importava com tags, títulos e muito menos em escrever descrições. Para mim, o que de fato importava era a arte por si só. Mas, com o tempo, eu comecei a perceber que, apesar de você ter criado o desenho mais legal de todos, apenas isso não irá te ajudar a ser “encontrado” dentro das plataformas. Infelizmente, essa é a verdade. Para o seu desenho ser visto pelas pessoas, ele precisa ser encontrado, e é nesse momento que as tags, o título e a descrição fazem o seu trabalho.

Por que tags, título e descrição são tão importantes?

As plataformas Print on Demand têm milhares de artes e artistas, e, para uma pessoa conseguir encontrar o seu trabalho sem nenhum tipo de “identificação”, é muito difícil. Por isso, ao criar uma arte, temos que pensar muito bem nesses três pontos para ajudar a pessoa certa a encontrar o seu trabalho.

Título - O primeiro passo

Quando eu comecei nesse universo, eu gostava de criar títulos lúdicos e diferentes, que muitas vezes não tinham nada a ver com o desenho. O resultado? Mais um desenho perdido num mar de outros desenhos dentro das plataformas. Por isso, o título deve descrever o desenho da melhor forma possível. O grande truque aqui é pensar: como uma pessoa procuraria esse desenho dentro da busca? E seguir por esse caminho. Resumindo: na hora de escrever títulos, seja direto e descreva o que você está vendo no desenho.

Tags – Pequenas etiquetas que fazem toda a diferença

Colocar tags nos seus desenhos nada mais é do que colocar pequenas “etiquetas digitais” neles. E essas etiquetas irão ajudar as pessoas a encontrarem os seus desenhos. Imagine que você fez um desenho de um gato. Boas tags para esse tipo de desenho seriam: gato, animal, pet, mãe de gato, cat lady, etc. Quando uma pessoa interessada em desenhos de gatos escrever “gato” na busca dessas plataformas, o seu desenho será listado e a chance dele ser descoberto é muito maior. Mas agora imagine que você fez um desenho de gato, não colocou tags e usou como título “Lulu”, pois você se inspirou no seu gatinho de estimação para desenhá-lo. A pessoa que procura por um desenho de gato não irá encontrar o seu desenho, pois, ao digitar “gato”, o seu desenho chamado “Lulu” jamais irá aparecer. Então, por mais monótono que seja escrever tags e pensar em um bom título, esse pequeno trabalho extra fará toda a diferença.

Como encontrar boas tags para o seu desenho?

Normalmente, esses tipos de plataforma pedem cerca de 15 tags. Esse é um bom número de tags no geral. Uma boa dica também é escrever o que você vê no seu desenho. Pense na cor principal do desenho e em outros detalhes de como ele é feito, por exemplo. Hoje em dia, colocar tags como desenho tradicional, aquarela ou sem uso de AI tem sido uma forma interessante de identificar o seu trabalho, pois tem muita gente interessada em arte não criada por AI. Além do óbvio, pense na história que o seu desenho está contando e faça a sua lista de tags.

Descrições – Descreva o seu desenho e conte uma pequena história.

Como eu comentei no começo do post, eu não escrevia descrições. Eu de fato acreditava que eu não precisava me preocupar com isso, pois ter descrição ou não não faria diferença. Mas, na verdade, o que eu não sabia é que o que está escrito na descrição ajuda os sistemas de busca a encontrar o seu desenho. Se eu não me engano, o Pinterest usa a descrição como uma das principais formas de anexar as imagens a categorias diferentes. Por isso, nunca deixe de escrever suas descrições.

Como escrever uma boa descrição?

Para uma boa descrição, você irá usar as tags que você listou para o seu desenho e, com elas, ajudar a contar uma pequena história para a plataforma de busca e também para as pessoas que encontrarem os seus desenhos.

Com essa breve explicação, vamos usar um dos meus desenhos para mostrar isso tudo na prática. O desenho escolhido é a arte digital em tons de roxo/lilás que está no começo do post. 

Um exemplo prático 

A primeira coisa que me vem à mente ao ver esse desenho é café e mariposa. Um título simples e direto seria Mariposa Café. Mas, para atrair também quem gosta de coisas místicas, eu decidi colocar o título de Mariposa Mística Café. Com esse título, eu posso atrair pessoas interessadas por café, mariposas (insetos, natureza), e “mística” chama a atenção de pessoas que gostam de bruxas, noite ou lua. E por que eu decidi escolher esse caminho? Por conta dos tons de lilás do desenho. Se ele fosse amarelo, com uma borboleta, por exemplo, eu preferiria escolher o título Mariposa Solar Café.

Com o título pronto, vamos pensar nas tags. Vamos pensar em 15 coisas que descrevam esse desenho: café e mariposa são escolhas óbvias. Algo legal de pensar é que tipo de pessoa poderia se interessar por esse desenho. Nesse caso, talvez alguém que goste da noite, insetos, lua, estrelas, talvez bruxaria. Então vamos listando todas essas ideias e depois observando as que fazem mais sentido. Aqui está a minha lista final de tags para esse desenho: mariposa lunar, floral, mariposa, mariposa noturna, mariposa lua, wicca, noite, noturno, roxo, feitiços, místico, amante do café, bruxa, chá, cafeína.

Repare que eu coloquei tags também relacionadas ao universo do café. Dessa forma, você abre mais o leque de possibilidades para o seu desenho. Depois das tags definidas, é hora de escrever a descrição.

Para escrever uma descrição, eu tenho uma pequena fórmula. É apenas um texto base no qual eu troco pequenos elementos de acordo com as tags. O texto é mais ou menos assim:

Título do desenho é um design perfeito para amantes de tag, tag e tag! Este é um ótimo design para presentear sua namorada que estuda tag, entusiastas por tag ou para quem não resiste a tag! Quem adora ilustrações inspiradas em temas tag, adora tag e o estilo tag também irá adorar esse design! Um design tag, perfeito para todos amantes de tag e tag!

Esse é mais ou menos o texto base que eu uso para criar as minhas descrições. Muitas vezes eu faço pequenas alterações para diferenciar um pouco de uma descrição para outra, mas basicamente é isso. Para funcionar, basta trocar o título e a palavra “tag” por uma das tags que você escolheu. O resultado ficou mais ou menos assim:

Mariposa Mística Café é um design perfeito para amantes de café, chás e criaturas místicas! Este é um ótimo design para presentear sua namorada que estuda Wicca, entusiastas por insetos ou para quem não resiste ao mistério das mariposas! Quem adora ilustrações inspiradas em temas holísticos, adora uma boa xícara de café e o estilo floral também irá adorar esse design! Um design misterioso, perfeito para todos amantes de café e os enigmas da noite!

Nessa descrição, há muitos elementos diferentes que irão levar pessoas diferentes ao seu desenho. É importante observar que não ficamos apenas restritos ao café e à mariposa. Isso faz muita diferença no resultado final. Acho importante dizer que isso é apenas uma base. Aproveite para modificar e inovar de acordo com cada desenho que você faz.

Hoje eu sei o que funciona para mim e o que não funciona mais. Para finalizar esse post, três dicas finais do que eu não fazer de jeito nenhum na hora de escrever o título e as tags para os meus desenhos:

  • Escrever títulos rebuscados e que não tenham nada a ver com o seu desenho 
  • Usar tags genéricas. Quando eu falo em tags genéricas, eu me refiro a tags como “cute”, “fofo” ou “bonito”. Essas tags não descrevem nada, então não vale a pena usá-las.
  • Usar as mesmas tags para todos os seus desenhos. Esse é um erro muito comum que não vai te levar a lugar nenhum. Pense no seguinte: cada desenho é único e merece ter as suas próprias tags.

Eu sei que isso tudo dá muito trabalho, principalmente para quem está começando, mas separar um tempo e pensar com cuidado nas suas tags e nas suas descrições fará toda a diferença.

E, por fim, pense nas tags, descrições e no título como parte do desenho, e não como algo chato que precisa ser feito. Mudar um pouco de postura diante disso ajuda bastante o processo. Eu sei que pode parecer muita coisa ou ser um pouco complicado, mas o importante é lembrar que, depois de alguns desenhos, isso será parte natural do processo e você nem pensará mais nisso.

Eu espero que esse post tenha ajudado e, no próximo post da série, eu falarei um pouco das ferramentas que eu precisei aprender a mexer para começar a colocar os meus desenhos nesse tipo de plataforma.

Até a próxima,

Thaís

 Para saber mais: 

Como vender seus desenhos em plataformas Print on Demand (POD)? Um pequeno guia para artistas iniciantes sobre como começar a vender o seu trabalho – parte 1

sexta-feira, 24 de abril de 2026

Como vender seus desenhos em plataformas Print on Demand (POD)? Um pequeno guia para artistas iniciantes sobre como começar a vender o seu trabalho – parte 1

Arte Leah - Stardew Valley vendida no Redbubble, Teepublic, Threadless e Colab55

 

Esse é um texto que eu estava com vontade de escrever há algum tempo. E honestamente? Eu gostaria de ter lido algo assim quando comecei a trilhar o meu caminho através das plataformas Print on Demand. Inicialmente, eu iria fazer apenas um post sobre o assunto, mas como o texto ficaria muito longo, eu decidi dividi-lo em várias partes.

Quando o desenho passou a ser uma parte importante dos meus dias, mais ou menos em 2018/2019, eu comecei a me interessar por plataformas em que eu pudesse comercializar o meu trabalho. Foi quando eu descobri o mundo das plataformas Print on Demand. Essas plataformas são sites onde artistas podem colocar os seus desenhos para serem vendidos em forma de produtos como canecas, camisas, quadros, etc. Internacionalmente, temos o Redbubble, Teepublic e o Threadless, entre outras. No Brasil, eu acho que a mais conhecida é o Colab55.

Como essas plataformas funcionam?
O artista recebe uma porcentagem de cada item vendido que contenha uma arte sua. Dependendo da plataforma, o artista não tem nenhum custo, e o seu único trabalho é colocar a sua arte no site. A grande vantagem é que o artista não tem o trabalho de fabricar o item, pensar em estoque ou na logística da entrega — ele só precisa pensar na sua arte e no seu processo criativo.

De fato, parece ser um ótimo negócio, mas, com o passar do tempo, eu aprendi que nem tudo era tão simples assim. Essas plataformas têm milhares de artes e artistas. Ou seja, muita concorrência. Então, ser encontrado pode ser um pequeno desafio. Outro ponto que eu considero negativo são as porcentagens que os artistas recebem (que ficam na faixa de 10% do valor do produto). Com o tempo, eu entendi que o meu trabalho não era apenas desenhar, mas também trabalhar na qualidade do arquivo que eu enviava para a plataforma, pensar em títulos, tags, boas descrições e conhecer um pouco sobre marketing.

Nesse primeiro post, eu falarei sobre as plataformas que eu conheço e mais uso. Atualmente, eu trabalho com quatro plataformas: Redbubble, Teepublic, Threadless e Colab55.

Aquarela O Rabanete

 

Redbubble – “A” Plataforma

O Redbubble foi a primeira plataforma internacional em que eu entrei. Eu acho que ela é uma das maiores do mundo atualmente e ela mudou muito desde quando eu ingressei nela, por volta de 2018.

Hoje, ela tem taxas e uma espécie de classificação dos artistas que, honestamente, eu não entendo exatamente como funciona. Quando eu entrei na plataforma, isso não existia. Agora, além dessa classificação que dá certos benefícios para algumas categorias, o artista paga uma pequena taxa por cada item vendido, que é descontada diretamente do seu pagamento. Honestamente, eu não sei como seria entrar na plataforma atualmente com todas essas mudanças, mas quando eu ingressei, o processo foi muito tranquilo, mesmo sendo a minha primeira experiência com uma plataforma internacional.

Sobre o layout do site e os produtos, o Redbubble tem uma gama muito grande de itens, que variam de camisetas a colchas, canecas e aventais. São muitas possibilidades. Colocar a arte na plataforma é relativamente simples: você pode alterar a cor do fundo se a sua arte tiver fundo transparente e, além disso, há uma ferramenta que permite transformar a sua arte em rapport (estampa) sem precisar acrescentar um novo arquivo.

Outra coisa interessante é que eles têm convênios com certas marcas que permitem que o artista crie artes licenciadas para serem vendidas no Redbubble. Esse tipo de arte é analisado por mais ou menos três meses, e depois eles te avisam se o seu desenho foi aceito ou não pelo programa.

As desvantagens do Redbubble

Como eu comentei acima, eu não sei como seria ingressar na plataforma em 2026 com todas essas mudanças. Mas ainda é um lugar interessante para expor o seu trabalho.

As desvantagens, para mim, seriam a forma de pagamento do Redbubble: o valor só é liberado caso você tenha atingido o mínimo de 20 dólares acumulados no mês. Caso não alcance esse valor, o pagamento é retido até o mês seguinte.

Outro ponto complicado em relação ao Redbubble é a questão de direitos autorais. Eles levam isso muito a sério e, por isso, muitas fan arts são retiradas sem aviso prévio. Por isso, é melhor tomar cuidado.

Arte Digital Dragon Noddles

 

Teepublic – A alternativa

Eu ingressei no Teepublic depois do Redbubble, e a minha experiência foi completamente diferente. O processo foi um pouco mais estressante do que eu esperava, mas, para mim, valeu a pena — tanto que uso a plataforma até hoje.

O primeiro ponto foi o fato de que o Teepublic só vendia camisetas e, a princípio, isso me parecia uma plataforma com um nicho mais específico. Mas, desde que a plataforma foi comprada pelo Redbubble, ela passou a ter mais itens, como canecas, bermudas e bonés, por exemplo.

Mas o principal problema que eu tive ao entrar no Teepublic foi que a minha loja não era visualizada dentro da plataforma. Eu colocava minhas artes, mas elas não apareciam nas buscas. Na época, eu fiz uma grande pesquisa na internet para entender como isso funcionava e li diversas opiniões diferentes. Alguns falavam que era necessário ter um certo número de artes na plataforma, outros diziam que o que contava era o tempo de atividade da loja. No fim, sem saber ao certo o que fazer, eu mandei um e-mail para eles, e a minha loja passou a ser exibida.

Assim como no Redbubble, colocar a sua arte na plataforma é muito simples. Eu diria que é até mais simples, e com apenas um arquivo, praticamente todos os itens já ficam prontos. Se a sua arte tiver fundo transparente, você também pode modificar a cor do fundo e, em poucos passos, ela já estará estampando camisetas e outros produtos.

Para mim, a grande vantagem do Teepublic é o pagamento. Diferente do Redbubble, tudo o que você vender é pago mensalmente, no dia 15, sem valor mínimo.

As desvantagens do Teepublic

O foco da plataforma ainda é camiseta, então alguns desenhos podem não funcionar muito bem nesse tipo de produto. Além disso, o fato de você passar um tempo sem aparecer nas buscas quando começa na plataforma pode ser desafiador. Até hoje, eu não consegui entender exatamente o que é necessário para ser “encontrado”. No geral, porém, é uma plataforma muito simples e intuitiva para quem está começando.

Lettering Ela é minha menina

 

Threadless – A social

Se eu não me engano, eu entrei no Threadless em 2023, e eu gosto bastante da plataforma. Ela tem taxas pequenas, se comparada ao Redbubble, um layout simples de usar e uma boa variedade de produtos. Outro ponto interessante é que ela tem pequenos desafios dentro da plataforma, onde você pode inscrever os seus desenhos e, se for um dos mais votados, pode ganhar prêmios, além de mais exposição.

Ela é menor do que as outras duas, mas já está no mercado desde 2000 e é uma boa forma de começar.

As desvantagens do Threadless

Das três, atualmente, ela talvez seja a melhor para quem está começando. Não tem grandes taxas, não tem classificação de artistas e é bastante amigável. Se eu pudesse apontar uma desvantagem, seria o tempo de liberação dos pagamentos. Não há valor mínimo, mas os ganhos ficam retidos por um período maior, o que pode tornar o processo mais lento. O pagamento é feito no dia 18 de cada mês.

Arte Digital Folhas de Sonho - Rita Lee

 

Colab55 – A nacional

Antes de entrar no Redbubble, eu me aventurei no Colab55. A grande vantagem é a língua. Como você cria para o público do seu país, é muito mais fácil pensar em frases e ideias que façam sentido para quem fala a mesma língua que você.

Outro ponto importante é que é uma plataforma fácil de entrar, não tem taxas extras para o artista e também não exige valor mínimo para pagamento. No Colab55, os pagamentos são feitos no último dia de cada mês.

As desvantagens do Colab55

A primeira, para mim, é o pagamento em real e não em dólar. Muitas vezes, é preciso vender muito mais itens para alcançar o valor de uma única venda em plataformas internacionais.

Outro ponto negativo é que você precisa criar uma arte diferente para cada produto que quiser vender. Isso demanda mais tempo e trabalho. Por isso, uma dica importante — principalmente se você usar o Colab55 — é criar templates para a sua arte. Assim, fica mais fácil adaptar para os diferentes produtos exigidos pela plataforma.

Resumo final

Esse foi um pequeno apanhado das plataformas que eu uso atualmente. Eu já testei outras, mas acabei saindo porque senti que não valia o tempo investido em tantas plataformas ao mesmo tempo.

Para quem está começando, eu diria para começar pelo Colab55, se acostumar com esse tipo de plataforma, depois ir para o Threadless e, em seguida, Teepublic e Redbubble.

Eu sei que algumas plataformas mudaram muito com o tempo, mas ainda acredito que elas oferecem boas oportunidades — principalmente se você gosta de criar pensando em nichos. Mas isso fica para um próximo post.

No próximo texto, eu falarei sobre títulos, tags e descrições. Pode não parecer, mas isso é muito importante.

Até a próxima,
Thaís

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2026

Meu primeiro desenho digital com a minha mesa digitalizadora XP Pen Deco 01 V3 + Projeto Let’s Grow

O universo - Arte Digital Thaís Melo

 

ProjetoLet’s Grow

No final de 2025, eu estava lendo um artigo no Redbubble em que falava sobre o projeto Let’s Grow. O projeto Let’s Grow é uma iniciativa que busca incentivar novos artistas, doando mesas digitalizadoras para eles. Eu não conhecia o projeto e achei muito interessante a iniciativa.

Eu comecei a desenhar com lápis e, aos poucos, fui experimentando novas mídias. Tive uma fase muito forte desenhando com ink, até começar a usar aquarela e passar a experimentar mais cores. Durante essa transição, do desenho em preto e branco para desenhos com mais cores, eu passei a criar arte digital. O que eu mais gosto na arte digital é a maneira como eu penso sobre o desenho. Eu comentei sobre isso no post da semana passada: ao invés de pensar em texturas, como eu penso quando pinto uma aquarela, quando crio uma arte digital eu penso em camadas. E pensar dessa forma é algo muito interessante para mim e me deixa muito curiosa sobre as formas de criar e refletir sobre o meu processo criativo.

Voltando ao projeto Let’s Grow, quando eu li sobre ele e descobri que a 10ª edição estava aberta, fiquei curiosa, animada, mas também em dúvida se eu teria o perfil “correto” para me inscrever. Afinal de contas, eu fazia arte digital, mas também desenhava com técnicas tradicionais. Será que esse projeto não seria mais “apropriado” para “artistas digitais”? E, em meio a todos esses pensamentos, foi quando eu percebi que essas perguntas, na verdade, eram apenas medo de tentar algo novo. O que eu poderia fazer se tivesse uma ferramenta apropriada? Até onde a minha criatividade me levaria com isso? Com esse novo pensamento em mente, eu respirei fundo, me inscrevi e não pensei mais sobre o assunto. E, para minha surpresa, em meados de dezembro, recebi uma mensagem avisando que eu havia sido uma das contempladas!

Eu fiquei muito surpresa e, ao mesmo tempo, emocionada por ter sido uma das artistas escolhidas. Quando a mesa digitalizadora chegou, de fato foi um momento muito especial para mim. A minha emoção não era apenas sobre o reconhecimento do meu trabalho como artista, mas também sobre a animação de estar diante de uma ferramenta tão legal. O meu primeiro pensamento foi: Uau! Essa mesa é enorme!

Como foi o meu primeiro desenho digital com a mesa digitalizadora

Eu decidi usar programas que já utilizo normalmente, então usei o Inkscape para criar o contorno e o Krita para colorir. Já adianto: usar uma mesa para colorir é uma experiência completamente diferente.

Eu pude pensar em texturas, ao invés de camadas, ao criar a arte digital, e isso é uma experiência nova para mim. Eu sinto que ainda tenho muito o que aprender, mas fiquei muito feliz com a minha primeira experiência.

Eu ando numa fase em que tenho pintado muitos cogumelos, e esse desenho reflete isso. Cogumelos, astronautas e muitas cores. O mais legal foi experimentar usar vários pincéis e texturas e observar como isso funciona digitalmente. Eu adorei o resultado, e o fato de a mesa ser enorme com certeza me ajudou muito. É um processo diferente, e agora eu só quero aprender cada vez mais. Talvez eu escreva, daqui a um ano, um novo post contando como está sendo desenhar com a minha mesa. Quem sabe?

Eu quis escrever este post não apenas para falar da experiência de ter e usar uma mesa digitalizadora, mas também para deixar um registro desse projeto, que me proporcionou não apenas uma ferramenta que vai me ajudar muito como artista, mas também uma experiência tão especial.

Muito obrigada ao projeto Let’s Grow e à XP Pen, que foi a patrocinadora dessa edição. E, se você é artista, vale muito a pena conhecer o projeto e se inscrever nas próximas edições. Eu descobri sobre a 10ª edição através do Instagram do projeto, então vale a pena sempre ficar de olho.

Por hoje é isso.

Até a próxima,

Thaís Melo

Para saber mais:
Originais e miniaturas na minha loja no Elo7
Desenhos e artes digitais no meu studio no Colab55

 

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2026

Como eu faço os meus desenhos? Pensando um pouco sobre o meu processo com arte digital e com arte tradicional

 

Minha folha de "rascunhos"

Como eu costumo desenhar? Esta foi a pergunta que eu me fiz essa semana, enquanto eu pintava uma aquarela de cogumelos. O desenho ainda está no meio do caminho, mas a pergunta me fez ter a ideia de pensar sobre o assunto e escrever este post.

Todos os meus desenhos começam com um rascunho a lápis. Não importa se eu pintarei com aquarela ou se ele se tornará uma arte digital, todos os meus desenhos começam com um papel e um lápis.

Depois do rascunho pronto, eu decido se ele vai ser pintado manualmente ou digitalmente. Se ele for se tornar uma arte digital, eu faço o contorno com caneta (ink) no desenho; em seguida, ele é escaneado, transformado em vetor e depois colorido digitalmente. Caso ele seja pintado manualmente, eu começo o processo de pintura da base das cores e, ao final disso, eu costumo fazer o contorno.

Acho que essa é a diferença básica entre arte digital e arte tradicional para mim: na arte digital, eu faço o contorno antes da cor base; mas na arte tradicional, como a aquarela, por exemplo, eu faço o contorno no final.

E por que eu faço isso?

Quando eu uso aquarela, por exemplo, eu misturo muitas cores no processo, e o contorno limita um pouco essa mistura. Por isso, é mais lógico terminar o desenho com o contorno. Já na arte digital, eu penso em camadas de cores e não em mistura. Por isso, o contorno funciona tão bem no início do processo.

Quando eu desenhava sem usar cores, a parte de “colorir” o desenho, digamos assim, era feita com um detalhamento muito maior. Então, mesmo com desenhos em preto e branco, eles tinham muitas texturas que criavam a sensação de sombra e profundidade.

Foi interessante pensar um pouco sobre o meu processo, pois isso me faz entender o motivo de cada passo dentro dos desenhos. Conhecendo esses passos, eu posso, com muito mais consciência, mudar a ordem, experimentar novos processos só para ver o que acontece.

Esse post, além de me ajudar a enxergar com mais detalhe o meu processo, me ajuda a simplesmente ilustrar que, dentro da arte, se conhecer pode ser a nossa melhor ferramenta. Apenas dessa forma podemos criar liberdade para mudar o nosso próprio processo e descobrir coisas novas.

Por hoje é isso.

Até a próxima,


Thaís Melo

quinta-feira, 14 de novembro de 2024

Como Desenvolvi Meu Processo Criativo em Arte Digital: Dicas para Iniciantes no Inkscape

Arte Digital criado no Inkscape


Criar arte digital é algo completamente novo para mim. Comecei essa jornada no final de 2022, e agora, quase dois anos depois, decidi compartilhar um pouco sobre o meu processo e o que aprendi ao longo do caminho.


Por que Eu Decidi Criar Arte Digital?

Tudo começou com a curiosidade. Eu sempre desenhei no formato tradicional, então imaginei como seria criar arte digitalmente. Como seria o processo de colorir sem usar tinta, mas sim ferramentas digitais? No início, foi difícil, como qualquer coisa nova, mas logo que encontrei as ferramentas certas, o processo se tornou muito mais simples e divertido!


Desenho no papel feito com caneta


A Diferença entre Desenho Tradicional e Digital

Para mim, a grande diferença entre o desenho tradicional e o digital está na forma de “pensar” as etapas do desenho. No formato tradicional, foco na criação de texturas; já no digital, penso em “camadas”. Essa abordagem em camadas me ajudou a criar um processo funcional que mantém a minha identidade visual, mesmo em formato digital.


Manter essa identidade visual foi fundamental para mim. Como gosto muito de trabalhar com linhas, busquei uma ferramenta que mantivesse meu traço e foi assim que conheci o Inkscape.


Por Que Escolhi o Inkscape?

Eu logo percebi que precisava de uma ferramenta que se adaptasse às minhas necessidades, independentemente do que a maioria das pessoas utilizavam. Embora o Photoshop e o Adobe Illustrator sejam os favoritos de muitos artistas digitais, esses programas não eram ideais para mim, especialmente porque uso Linux há anos. Encontrei o que precisava no Inkscape, uma ferramenta open-source que me permitiu manter meu traço e explorar possibilidades de forma simples e prática. Ainda uso o Krita para detalhes ou criações de estampas (rapport), mas o Inkscape é minha principal ferramenta para criar e colorir arte digital.


Como Funciona o Meu Processo?

Mesmo na arte digital, começo o processo com um esboço tradicional feito à mão. Após finalizar o contorno no papel, escaneio e edito a imagem no GIMP, um software open-source que já uso há anos para editar imagens. Com o GIMP, consigo ajustar o contraste das linhas e preparar o esboço para o próximo passo.


Depois da imagem ajustada, abro-a no Inkscape e a transformo em vetor. Em vez de vetorizar manualmente, utilizo a ferramenta automática de vetorização do Inkscape, que preserva meu traço e simplifica o processo. Após a vetorização, vem a parte divertida: colorir! Como já mencionei, penso nas cores em camadas, adicionando tons base, sombras e detalhes gradualmente. Com o tempo, aprendi a usar ferramentas de luz e transparência que proporcionam um acabamento especial ao trabalho.


E é assim que crio minhas artes digitais! Surpreendentemente, essa prática influenciou até meus desenhos tradicionais, pois, antes, eu usava poucas cores, mas hoje, a cor é parte essencial do meu trabalho ;)


Até a próxima!

terça-feira, 5 de março de 2024

"De tudo um pouco". A frase que descreveria 2022

 

O sapo, o peixe e o vale das flores dançantes




Chegamos em 2022 e esse foi um ano com muitas experimentações! Eu fiz um curso sobre arte abstrata e com isso, passei alguns meses experimento tintas e telas. 







No final do ano, eu comecei a fazer arte digital. Duas coisas completamente diferentes e novas para mim, mas que influenciaram muito o meu ano de 2023!


Totoro + Sonic Youth


Um dos meus primeiros vetores!



"De tudo um pouco". A frase que descreveria 2022. O ano de desenhos surrealistas, tinta acrílica, meus primeiros vetores inspirados no Tibbers, o gato de estimação do meu irmão. E é claro, com um pouco de Tororo e Sonic Youth também =)

Até a próxima,

Thaís








quinta-feira, 30 de novembro de 2023

Favoritos de #2023

Num piscar de olhos, 2023 chegou ao fim. Está na hora de fazer um pequeno resumo dos meus desenhos favoritos do ano!





Depois me contem se os favoritos de vocês foram os mesmos que os meus. Muito obrigada pela companhia este ano e nos vemos em 2024!

Um criativo 2024 para todos!

Até a próxima,

Thaís


domingo, 12 de novembro de 2023

Novembro é o mês da Black friday ...

 

Novembro é o mês da Black friday e é uma ótima oportunidade para adquirir as minhas miniaturas ou ilustrações com bons descontos!

Colab55

Colab55

Colab55

Colab55

Colab55

- Durantes todo o mês de novembro o Colab55, Redbubble, Teepublic, Threadless e ArtistShot estarão fazendo promoções que variam em descontos e frete grátis. É a melhor oportunidade de ter um dos meus desenhos em forma de quadros, almofadas, camisetas, canecas ou agendas para chamar de seu! Lembrando que o Colab55 é nacional, com entrega em todo o Brasil =)


Elo7

Elo7

Elo7


- Na loja do Elo7, vocês podem encontrar miniaturas natalinas, brincos e colares, perfeitos para presentear nas festas de final de ano. Eu dou destaque aos kits especiais de final de ano! Os kits são peças selecionadas escolhidas para serem vendidas juntas com um ótimo desconto. Uma execelente forma de adquirir peças artesanais para presentear ou colecionar. 


Um ótimo domingo para todos e até a próxima =)

segunda-feira, 6 de novembro de 2023

Desenhos de Outubro

 

Eat - Sleep - Van Gogh

Ginger or Treats

It's the Great Pumpkin

Floresta de Cogumelos


Em outubro tivemos cogumelos, bruxas, biscoitos de gengibre e Van Gogh!

Um criativo mês de novembro para todos =)

Até a próxima,

Thaís

domingo, 27 de agosto de 2023

Desenhos do mês de agosto

O mês de agosto está quase no fim e eu resolvi fazer um pequeno resumo dos desenhos do último mês.




Eu adorei fazer esse desenho! Eu queria desenhar algo divertido e que tivesse cogumelos envolvidos. Eu acho cogumelos extramente fotogênicos e é por isso eu adoro desenhá-los. Para terminar de compor o desenho, chá e um simpático gnomo. A idéia original seria em tons de outono (laranja, vermelho e marrom), mas na última hora, eu decidi escolher um caminho mais colorido e acho que foi o caminho certo.




Esse foi um daqueles desenhos que eu não tive nenhum esforço para criá-lo. Ele surgiu na minha mente quando eu vi o tema Summerween como um dos concursos do mês de agosto do Threadless. Eu adorei o resultado final, principalmente o fantasminha de óculos escuros e chapéu de bruxa! Esse também foi um desenho interessante, pois foi o primeiro desenho que eu fiz a fonte no Inkscape e não no Gimp, como eu costumo fazer. Desde então, eu tenho preferido fazer as fontes via Inkscape. É muito mais intuitivo e eu tenho gostado bastante do resultado.





Dia do folclore
No começo do ano, eu me tornei voluntária na Biblioteca municipal Machado de Assis, para criar desenhos relativos ao universo da literatura em algumas datas significativas. Este mês o Dia do Folclore foi o tema escolhido. Foi muito bom relembrar e aprender um pouco mais sobre o folclore brasileiro. 

Esse foi o resumo do mês de agosto! Setembro para mim significa a chegada da primavera e os preparativos para o Inktober que começa em outubro. Desde de 2020 eu não consigo terminar o desafio, mas isso é assunto para um outro post.

Uma criativa semana para todos e até a próxima!

quinta-feira, 20 de julho de 2023

Desenho, evolução e 6 dicas para lidar com a frustração na hora de desenhar

Ilustração Coffee Coffee Coffee versão 2023

Eu comecei a desenhar quando eu era criança e naquela época, eu acreditava que existiam dois tipos de pessoas: As que sabiam desenhar e as que não sabiam. Eu sempre tive facilidade com o desenho, mas ter facilidade não significa que você desenhará facilmente qualquer coisa que surgir na sua frente.

Por muito tempo isso me causou muita frustração. Como toda pessoa que está aprendendo algo novo, errar faz parte do caminho e minha versão mais nova achava que desenhar significava uma única coisa: desenhar sem errar. Infelizmente, uma parte minha não conseguia entender que para tudo que nos propusermos a fazer, precisamos de muito treino e esforço, e isso significa muito erro.

Hoje em dia eu ainda lido com a frustração de errar, mas entendo que por mais chato que isso seja, faz parte do processo. E além do mais, quanto mais eu erro, mais curto se torna o caminho para aprender algo novo e chegar ao resultado que eu tenho na minha mente.

Nos últimos dias eu revi os primeiros trabalhos com arte digital que eu fiz em julho de 2022. Há exatamente um ano, eu começava a trilhar o meu caminho com arte digital e levei um pequeno susto ao abrir aqueles primeiros desenhos e perceber o quanto o meu trabalho com arte digital evoluiu. Eu fiquei muito feliz por não ter desistido durante as primeiras frustrações e ter continuado. De lá para cá foram muitos erros, acertos e testes para chegar num tipo de arte digital que eu goste de fazer. Como eu comentei no último post, eu gosto muito de arte tradicional e começar a criar arte digital foi um grande passo para mim. Um passo incrível que tem me ensinado bastante.

Eu acredito que um dos motivos que nos causam tanta frustração é o fato de olharmos o trabalho de alguém e vermos apenas aquele momento, e não pensamos em todos os erros e acertos que aquela pessoa passou até chegar ali. Mesmo que nós não percebemos, a gente sempre evolui e só precisamos seguir em frente. Isso é um grande lembrete para aqueles dias onde nada parece dar certo e só temos vontade de jogar tudo para o alto. Tudo passa e para momentos assim eu separei algumas dicas do que eu faço nos meus dias frustrados que me ajudam muito a continuar desenhando.


Versão 2022


Olhe para sua obra de um ano atrás e estude a sua evolução

Essa foi a minha grande lição do mês de julho! Agora sempre que eu me sentir empacada ou frustrada com algum desenho, eu vou olhar a pasta de desenhos de um ano atrás e estudar em que pontos o meu desenho evoluiu. Eu aprendi a fazer sombras? Os detalhes estão mais complexos? O que eu estou fazendo agora e não fazia antes? Esse tipo de perspectiva é capaz de nos tirar da estática e nos fazer nos sentir mais confortáveis com a nossa evolução. 

Pare, respire e tome uma xícara de chá (ou café se você é do time do café)

Muitas vezes a melhor coisa a fazer é parar. Deixar o desenho de lado e fazer outra coisa é a melhor forma da mente descansar e conseguir lidar com algum problema. Para mim, a melhor forma de lidar com dias difíceis é parar, respirar e tomar um pouco de chá. Segurar um xícara quentinha é algo muito reconfortante e sempre me ajuda a relaxar.

Tenha mais de um projeto por vez

Eu não consigo fazer apenas uma coisa de cada vez. Eu estou sempre com vários projetos em andamento. Às vezes são vários desenhos que estou fazendo ao mesmo tempo ou estou trabalhando numa nova série de miniaturas, mas independente do que for, vários projetos me permite mudar de foco quando um dos projetos está me dando um pouco de dor de cabeça.  Tudo é bem simples: Se um desenho não está fluindo naquele dia, basta eu parar, respirar e tomar a minha xícara de chá, e logo depois começar a olhar um outro desenho. Isso sempre funciona comigo e quando eu volto ao desenho “problemático”, tudo se resolve com mais facilidade.

Se possível, saia um pouco de casa e ande sem rumo

Eu simplesmente adoro andar. Eu não preciso fazer nada específico, simplesmente sair de casa e andar pelas ruas, ver os prédios, observar as plantas e as árvores já me deixam de bom humor. Para mim não há nada mais legal do que descobrir um detalhe novo numa rua por onde eu sempre passo. Eu não sei se é a endorfina liberada pela caminhada ou fato de estar ao ar livre, independentemente do que for, andar sempre me ajuda muito a lidar com o estresse e a frustração. 

Deixe o seu desenho “sair de férias”

Algumas vezes você já fez de tudo e o desenho parece não estar funcionando? Então, é hora de você dar “férias” para o seu desenho e começar outro projeto. Quando eu digo férias, eu me refiro a  deixar o seu desenho de lado por algumas semanas e depois voltar nele.  Isso já aconteceu algumas vezes comigo e eu acredito que faz parte do processo. Muitas vezes você tem uma ideia, mas ela ainda precisa de algumas engrenagens para poder se encaixar e formar um todo. Por isso, eu tenho uma pilha de desenhos que eu considero desenhos ativos. São desenhos que eu estou trabalhando e que ainda precisam de algum ajustes e de tempos em tempos, eu revejo toda a pilha. Algumas vezes eu esqueço de alguns desenhos em outras, eu vou direto num desenho específico que eu estava trabalhando antes. Sendo bem sincera, algumas vezes tudo o que você e o seu desenho precisam é de boas férias um do outro ;)


Ilustração Love Raccon


Saiba a hora de desistir, mas nunca descarte uma ideia por completo

Nos últimos meses eu estava obcecada em desenhar um guaxinim. Eu tentei várias ideias e rascunhos e nada parecia funcionar. Depois de xícaras de chá e alguns passeios, eu percebi que era hora de dar férias para o meu guaxinim e pensar em outra coisa. Mas dessa vez, ao retornar o desenho, nada funcionava. Então, eu fui olhar o meu caderninho de ideias e achei uma frase que dizia: Love Raccoon. Pronto! O desenho que não funcionava de jeito nenhum, simplesmente fluiu. A frase surgiu ao escutar o Álbum Branco dos Beatles, onde uma das faixas se chama Rocky Raccon. Enfim, essa frase está escrita no meu caderninho há muito tempo, esperando para virar um desenho e somente agora tudo fez sentido. Por isso, saiba a hora de desistir de um desenho, mas nunca descarte aquela ideia por completo. Eu anoto tudo num pequeno caderno encapado com tecido laranja. Mas você pode anotar no celular, em arquivos ou no que for mais conveniente para você. Por isso, nunca descarte as suas ideias. Muitas vezes ela só precisam de mais tempo para amadurecer.

Dica extra: Anote todas as ideias que você tem! Até mesmo as que parecem bobas ou sem sentido

Essa ideia eu aprendi assistindo a série Seinfeld. Para quem não conhece, Seinfeld é uma série sobre nada que mostra a vida de um comediante e seus amigos. Seinfeld, o comediante, anota todas as suas ideias para os seus shows num pequeno caderno. Desde que eu vi isso, eu achei uma boa ideia e passei a anotar as minha ideias num pequeno caderno. De tempos em tempos, eu foleio o caderno em busca de alguma inspiração e eu sempre me surpreendo com o que eu encontro anotado!

Resumindo

Frustração e erro fazem parte da vida de qualquer pessoa e também fazem parte da vida de um artista. Seja ele iniciante ou com anos de carreira, errar faz parte do caminho. O que eu quero dizer é que devemos aceitar a frustração e aprender a lidar com ela. Ela faz parte do processo e no final, ela irá te ajudar a fazer um trabalho ainda melhor.

Até a próxima,

Thaís

sexta-feira, 14 de julho de 2023

Eu e a arte digital: Como criar arte digital, Inkscape e as vantagens de fazer arte digital

Arte Digital Heart - Earth

Desde o final do ano passado, comecei a me aventurar no universo da arte digital. Por muito tempo, evitei seguir por esse caminho. Eu poderia listar uma série de fatores que me fizeram evitar fazer esse tipo de arte, mas, no fundo, eu só tinha receio de aprender algo completamente novo. O famoso medo do desconhecido.

Quando você está acostumado a usar instrumentos analógicos, digamos assim, e se aventura no mundo digital, tudo parece muito complicado. Mas, como qualquer nova experiência, depois do susto inicial, você começa a criar seu caminho e, aos poucos, tudo o que parecia assustador se torna familiar e até mesmo divertido.

Meu caminho na arte digital tem sido assim. Depois do primeiro susto, tenho adorado me aventurar por essa nova técnica. Eu digo técnica, pois, assim como aprender a desenhar com lápis ou nanquim, você precisa descobrir novas habilidades e, nesse ponto, a arte digital, para mim, é apenas mais uma técnica no meio de tantas outras possibilidades dentro do mundo da arte.

Inkscape
Para fazer arte digital, é necessário usar um programa, e tenho usado o Inkscape. Eu adoro o Inkscape! Em primeiro lugar, ele é um programa muito amigável e fácil de usar. Eu não tinha experiência com esse tipo de programa e comecei a usá-lo sem maiores dificuldades. Ele é super leve, então não precisa de um supercomputador para usá-lo. E o mais importante para mim é que ele é um programa totalmente free. Sem nenhuma taxa ou mensalidade, e com tantos aspectos positivos, não foi difícil me acostumar completamente com ele.

Desenho editado no Gimp pronto para ir para o Inkscape


Como eu crio arte digital
Tudo começa com o desenho no papel. Tenho uma ideia, procuro por imagens de referência e faço alguns rascunhos. Quando sinto que o desenho já tomou forma, é hora de passar a caneta (ink) no desenho. Depois de tudo pronto, escaneio o desenho e faço pequenas alterações usando o Gimp.

O Gimp é um programa de edição de imagem e, assim como o Inkscape, é um programa gratuito. Nele, retiro o fundo da imagem e reforço a cor do desenho, deixando o traço mais nítido. Ao usar alguma fonte, prefiro fazer o processo no Gimp e deixar a imagem pronta para o Inkscape.

Com a imagem pronta, chegou a hora da parte divertida! Vetorizar e colorir no Inkscape. Nele, transformo a imagem em vetor com uma ferramenta própria do Inkscape e, em seguida, começo o processo de colorir todo o desenho digitalmente.

Já fiz alguns desenhos em que vetorizei manualmente, mas gosto muito da ferramenta do Inkscape que permite criar um vetor a partir de um desenho pronto. Além da praticidade, gosto de ver meu traço no resultado final. Honestamente, para mim, esta foi a forma que me "encontrei" dentro da arte digital. Por muito tempo, relutei em aprender mais sobre a "técnica", pois não conseguia reconhecer meu traço no resultado final, mas dessa forma, encontrei uma maneira de fazer arte digital misturada ao desenho tradicional que tanto gosto.

Vantagens de fazer arte digital

Economicamente mais em conta
Uma das grandes vantagens para mim em fazer arte digital é o fator econômico. Passei a gastar muito menos com material de arte em geral. No mundo pós-pandemia e com preços cada vez mais altos, isso funcionou muito bem para mim. Às vezes, sinto falta da caneta e do papel? Sim. Mas é muito melhor ter material quando eu quiser do que precisar repor papel e canetas o tempo todo.

Pensar em arte de uma forma diferente
Fazer arte digital e arte em meio tradicional são duas coisas completamente diferentes. Enquanto fazer um desenho de forma tradicional flui de maneira mais orgânica, a arte digital exige uma abordagem mais mecânica, por assim dizer.

Colorir um desenho digitalmente envolve pensar nas cores que ficam nas camadas de baixo e, assim, pensar nas outras camadas e detalhes que ficarão na parte de cima do desenho. Isso foi algo que tive que aprender para não me sentir confusa no meio de mil camadas. Já tive que recomeçar desenhos, pois me perdi completamente durante o processo. Não vejo isso como algo ruim, pelo contrário. Pensar dessa forma ajuda-me a planejar o desenho como um todo, o que também é muito útil quando faço um desenho de forma tradicional.

Vetor começando a ganhar as primeiras cores


Vetores, meus melhores amigos
Faço arte para diversos sites. Isso significa uma única coisa: sites diferentes, tamanhos diferentes. Cada site aceita tamanhos distintos, e antes de fazer arte digitalmente, redimensionar cada desenho era um pequeno pesadelo. Mas com vetores, o céu é o limite! Isso facilitou muito meu trabalho, sem falar em ter imagens sem perda de qualidade o tempo todo, o que é uma maravilha!

A possibilidade de mudar de ideia e mudar de ideia de novo
Algo muito divertido na hora de criar arte digital é a possibilidade de mudar de ideia e mudar de ideia de novo. Posso pensar que um desenho funcionaria melhor com um tom de vermelho, mas no meio do processo, percebo que um tom de rosa ficaria muito melhor. Em vez de começar todo o processo desde o início, basta trocar a cor. E o melhor de tudo é que, se eu mudar a cor e achar que a cor original estava melhor, um clique resolve tudo. Tenho adorado essa possibilidade, e às vezes salvo mais de uma versão do mesmo desenho, com cores diferentes, por pura diversão.

Resumindo
Fazer arte digital tem sido uma grande descoberta para mim. Adoro pen e ink, e por anos desenhei praticamente em preto e branco. Criar arte digital abriu as portas para o mundo das cores para mim! Todo esse processo tem sido incrível. Sei que ainda tenho muito o que aprender, mas tenho adorado cada minuto!

Para quem quiser conhecer o Inkscape e o Gimp, vou deixar os links abaixo.

Até a próxima!

Thaís

Links:
    • Inkscape
    • Gimp