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sexta-feira, 6 de março de 2026

A rotina por trás dos desenhos: Como criar uma rotina para desenhar?


Imagine um artista olhando fixamente para uma enorme tela em branco. Ele respira fundo e começa a pintar pinceladas expressivas por toda a tela. Essa é uma imagem que por muito tempo eu cultivei relacionada ao que era ser artista: esperar a inspiração e pintar a sua próxima obra-prima. Mas no dia a dia, ser artista é um pouquinho diferente.

Com o tempo você aprende que desenhar é como qualquer coisa na vida: você precisa praticar. E um ponto importante que eu aprendi é que, para eu criar cada vez mais e desenvolver o meu desenho, eu precisava ter uma pequena rotina. E honestamente? Ela está muito distante dessa imagem de artista em busca da sua musa inspiradora que eu tinha.

Quando eu comecei a desenhar, eu de fato achava que “artistas de verdade” não precisavam ter rotinas ou praticar, pois afinal de contas “artistas” já nasciam com “talento”. Eu fico feliz e muito aliviada de ter deixado esse tipo de pensamento para trás. Ele me impedia de melhorar o meu trabalho e agora eu percebo que, para desenhar, eu não preciso de inspiração, mas sim de muita prática e uma rotina que seja compatível com a minha vida.

É ótimo quando temos aquelas semanas cheias de ideias novas e desenhamos bastante. Mas e as semanas de branco criativo? Ou aquelas semanas em que acontecem um milhão de coisas à sua volta e você mal consegue pensar no lápis e no papel? São para esses momentos que eu aprendi o quanto é importante ter uma pequena rotina para o desenho.

Não precisa ser nada elaborado, apenas algo que funcione para a sua vida. E assim, conforme o tempo for passando e você for desenhando consistentemente, você não apenas ficará feliz por manter esse hábito, mas verá que seu traço e estilo evoluirão bastante!

Como criar uma rotina para desenhar?

Escolha quantas vezes por semana você quer desenhar.

Uma vez por semana? Três vezes? De quinze em quinze dias? A quantidade não importa, mas decida quantas vezes por semana você quer desenhar e crie esse compromisso com você mesmo. Eu, por exemplo, trabalho em um desenho novo toda semana. Ele pode ser mais elaborado ou mais simples, isso não importa. O que importa é que eu desenhe algo novo toda semana.

Agora decida o horário e o dia da semana em que você irá desenhar.

Como eu comentei no início deste post, não precisa ser nada muito rígido ou formal, apenas escolha o dia da semana e o horário. Eu, por exemplo, desenho na segunda e na terça-feira, na parte da tarde. Eu escolhi dois dias porque, se por acaso eu não desenhar na segunda por algum motivo (imprevistos acontecem e eu irei falar mais sobre isso no próximo parágrafo), eu tenho a terça-feira. E em algumas semanas eu faço um desenho mais elaborado e não consigo terminá-lo todo em um dia, então eu posso terminá-lo no outro. Para mim, um pouco de flexibilidade sempre é muito importante.

Mas vai ter aquela semana em que será quinta-feira e eu ainda não comecei o meu desenho. Nessas semanas, eu parto para o mais fácil e prático para mim: cogumelos. Desenhar cogumelos é o meu “desenho conforto”, digamos assim. Então eu faço um pequeno desenho de cogumelo e sigo em frente. O importante aqui é eu manter a minha rotina, mesmo em meio ao caos. Manter a minha rotina é uma forma de eu mostrar para mim mesma o quanto o desenho é importante, e até agora isso tem funcionado muito bem. Ao olhar para aquela semana e ver o desenho pronto, mesmo pequeno e simples, eu sinto que consegui fazer aquilo com que eu me comprometi.

Imprevistos acontecem, por isso aprenda a ser flexível

Numa semana ideal, tudo irá correr perfeitamente, mas nem sempre é assim, como eu já comentei. Nessas semanas, apenas faça o possível. Se o seu dia de desenhar é na terça-feira e você não teve tempo, tente em outro dia e está tudo bem. O importante é procurar manter a rotina de desenho da melhor forma possível. Se realmente não deu para desenhar naquela semana, OK, respire fundo e desenhe na próxima.

Se pergunte: por que você está fazendo isso?

Por que é importante para você desenhar? Para mim, não é apenas por ser parte do meu trabalho, mas porque eu amo criar algo. Eu não consigo ficar 100% bem sem criar nada, e o desenho é parte fundamental nisso. Desenhar é muito importante para mim. Então, antes de criar uma rotina e acabar se frustrando nas semanas em que a vida acontece mais depressa do que a gente gostaria, se pergunte o motivo de você ter começado a fazer isso. Pensar nisso sempre me ajuda a criar motivação e continuar. Com o tempo, a nova rotina sempre fica mais fácil.

O mais importante: divirta-se no processo

Desenhar é prática. Haverá dias em que você desenhará com facilidade e haverá dias em que nada irá ficar bom, mas tudo bem. Nem todo desenho precisa ser perfeito. O importante de ter uma rotina de desenho é aprender a ter um espaço para criar. Independentemente de você ser uma artista profissional ou não, ter uma rotina irá permitir que você veja o seu progresso.

Pense no seguinte: se você se comprometer a desenhar 1 desenho novo por semana, no final de 1 mês você terá 4 novos desenhos. Isso pode não parecer muito, mas ao final de 1 ano você terá 52 novos desenhos — e isso é um marco incrível!

Por hoje é isso.

Até a próxima,

Thaís Melo

Para saber mais:
Originais e miniaturas na minha loja no Elo7
Desenhos e artes digitais no meu studio no Colab55


sexta-feira, 20 de fevereiro de 2026

Como eu faço os meus desenhos? Pensando um pouco sobre o meu processo com arte digital e com arte tradicional

 

Minha folha de "rascunhos"

Como eu costumo desenhar? Esta foi a pergunta que eu me fiz essa semana, enquanto eu pintava uma aquarela de cogumelos. O desenho ainda está no meio do caminho, mas a pergunta me fez ter a ideia de pensar sobre o assunto e escrever este post.

Todos os meus desenhos começam com um rascunho a lápis. Não importa se eu pintarei com aquarela ou se ele se tornará uma arte digital, todos os meus desenhos começam com um papel e um lápis.

Depois do rascunho pronto, eu decido se ele vai ser pintado manualmente ou digitalmente. Se ele for se tornar uma arte digital, eu faço o contorno com caneta (ink) no desenho; em seguida, ele é escaneado, transformado em vetor e depois colorido digitalmente. Caso ele seja pintado manualmente, eu começo o processo de pintura da base das cores e, ao final disso, eu costumo fazer o contorno.

Acho que essa é a diferença básica entre arte digital e arte tradicional para mim: na arte digital, eu faço o contorno antes da cor base; mas na arte tradicional, como a aquarela, por exemplo, eu faço o contorno no final.

E por que eu faço isso?

Quando eu uso aquarela, por exemplo, eu misturo muitas cores no processo, e o contorno limita um pouco essa mistura. Por isso, é mais lógico terminar o desenho com o contorno. Já na arte digital, eu penso em camadas de cores e não em mistura. Por isso, o contorno funciona tão bem no início do processo.

Quando eu desenhava sem usar cores, a parte de “colorir” o desenho, digamos assim, era feita com um detalhamento muito maior. Então, mesmo com desenhos em preto e branco, eles tinham muitas texturas que criavam a sensação de sombra e profundidade.

Foi interessante pensar um pouco sobre o meu processo, pois isso me faz entender o motivo de cada passo dentro dos desenhos. Conhecendo esses passos, eu posso, com muito mais consciência, mudar a ordem, experimentar novos processos só para ver o que acontece.

Esse post, além de me ajudar a enxergar com mais detalhe o meu processo, me ajuda a simplesmente ilustrar que, dentro da arte, se conhecer pode ser a nossa melhor ferramenta. Apenas dessa forma podemos criar liberdade para mudar o nosso próprio processo e descobrir coisas novas.

Por hoje é isso.

Até a próxima,


Thaís Melo

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2026

O que desenhar em semanas de branco criativo?

 

Aquarela Cogumelo Azul 


Existem aqueles ciclos em que você não consegue parar de usar um certo material, uma técnica nova que não sai da sua cabeça, ou talvez seja um tema específico que fica retornando aos seus desenhos. Mas também existem momentos em que você não sabe ao certo o que desenhar. Como tudo na vida, desenhar envolve ciclos: ciclos de muita produtividade e ciclos de puro silêncio. E, antes de mais nada, isso é mais do que normal.

Esta semana eu diria que foi uma semana de silêncio criativo para mim. Eu não tive muitas ideias e, por mais incômodo que isso seja, o importante é apenas desenhar alguma coisa e seguir em frente. Algo que eu aprendi com o tempo é que desenhar, antes de mais nada, é treino. Por isso, a lição mais importante que eu aprendi é não levar os meus desenhos muito a sério, no sentido de que eles não precisam ser perfeitos. Vai haver desenhos de cujo resultado eu vou gostar e vai haver desenhos de que eu não vou gostar, e tudo bem. O mais importante para mim é continuar criando, independente do resultado.

Então, o que fazer em semanas de branco criativo?

 

Apenas continue desenhando.

Para mim, o que melhor funciona é começar com um desenho simples e sem rascunhos. Por exemplo, esta semana eu queria voltar a desenhar cogumelos, mas eu não estava conseguindo criar um rascunho de que eu gostasse. Eu parei o desenho e comecei a pintar um cogumelo livremente com aquarela. Apenas misturando as cores, sem pensar muito no desenho final. O resultado foi um cogumelo azul pintado com aquarela. O desenho desta semana foi do jeito que eu imaginava? Não. Mas eu fiquei feliz de ter desenhado algo. Desde que eu criei um compromisso comigo mesma de desenhar algo toda semana, ter um progresso pequeno é muito melhor do que simplesmente não fazer progresso nenhum.

É muito fácil a gente pensar apenas no resultado, principalmente nos dias atuais, em que tudo tem que ser perfeito e “para ontem”. Mas desenhar, independente da mídia que você use, é um processo. E, como todo processo, ele precisa ser respeitado. Então, na próxima vez em que você estiver sem ideias, apenas desenhe. Livremente. E continue assim, até o próximo ciclo chegar.

Até a próxima,

Thaís Melo

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Papel para aquarela
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sexta-feira, 6 de fevereiro de 2026

Três dicas simples para pintar melhor com lápis de cor

Fan Art - Stardew Valley

 

O lápis de cor foi um dos primeiros materiais que usei quando comecei a desenhar. Na época, era muito comum o uso de lápis de cor aquareláveis e, por muito tempo, essa foi a forma de colorir que eu mais utilizava. Por mais que eles fossem úteis e práticos, eu achava o lápis de cor um pouco limitado. Eu não gostava de como ele deixava marcas de traço no papel e, por mais que eu tentasse, não conseguia fazer um efeito de sombra como eu queria. Por conta disso, eu acreditava que o problema era o lápis de cor, mas hoje percebo que o problema era que eu não sabia usá-lo e, assim, não descobri naquela época todo o seu potencial.

O tempo passou, eu experimentei várias mídias diferentes e, no ano passado, comecei a incorporar cada vez mais o lápis de cor nos meus desenhos. Eu adoro o efeito que ele dá, principalmente quando o uso junto com a aquarela. Mas, afinal, o que mudou? Mesmo que os lápis não sejam os mesmos, eu aprendi que, com alguns truques, podemos deixar a pintura com lápis de cor muito bonita e repleta de sombras e texturas.

 

Três dicas simples para pintar melhor com lápis de cor

 

Sempre comece a pintar do mais claro para o mais escuro

Eu consegui entender melhor esse “conceito”, digamos assim, depois que comecei a pintar com aquarela. Quando uso aquarela, preciso começar a pintura com cores mais claras (e diluídas) e depois seguir para os tons mais escuros. Caso contrário, é quase impossível inverter essa ordem sem prejudicar o resultado final. Com o lápis de cor acontece exatamente o mesmo. Eu começo o desenho com as cores claras e a mão super leve, para depois acrescentar os tons mais escuros, misturando as cores. Dessa forma, consigo criar o efeito de luz e sombra que eu tanto queria e não sabia como fazer.

 

Exemplos de como misturar cores com o lápis de cor

 

Não tenha medo de misturar as cores

“Não tenha medo de misturar cores” se tornou o meu novo lema. Essa é a melhor forma de criar tons no desenho. Sabe aquela linda transição de uma cor para outra? Nós podemos conseguir esse efeito apenas misturando as cores. Como eu faço isso? Eu escolho três cores (pelo menos) da mesma “família”: uma clara, uma média e uma mais escura. Começo pintando com a mais clara, depois acrescento a cor média e finalizo com a mais escura por cima. Muitas vezes, você consegue o mesmo efeito usando o mesmo lápis, apenas alterando a força ao colorir. Quando eu misturo cores que combinam, o efeito fica muito bonito e eu gosto bastante do resultado. Eu adoro misturar, por exemplo, tons de azul com rosa ou lilás, amarelos com laranjas e marrons, ou verdes com azul.

Se você não quer textura, use uma folha de papel lisa

Quando comecei a desenhar, qualquer textura diferente no desenho me incomodava muito. Uma parte de mim pensava que essas texturas não eram “profissionais”. Hoje em dia, penso diferente: vejo pequenas texturas e detalhes como personalidade do desenho. Mas, mesmo gostando bastante desses pequenos detalhes, eu entendo que em alguns momentos tudo o que queremos é um desenho com cores bem uniformes. E, com o lápis de cor, a melhor forma de fazer isso é usar uma folha de papel lisa, sem nenhuma textura. O efeito das sombras fica super homogêneo e o resultado é muito bonito. Apenas tome cuidado para não apagar muito o papel no momento de fazer o rascunho do desenho. Folhas lisas costumam marcar com muita facilidade e, ao passar o lápis de cor, as linhas marcadas no papel aparecem como que num passe de mágica. Por isso, use a mão leve e um lápis macio, que costuma não marcar muito o papel.

Dica extra: finalize com lápis de cor branco ou use um esfuminho

Eu sempre me perguntei: mas por que colocar um lápis branco na caixa de lápis de cor?! E agora eu sei a resposta. Ele serve para misturar as cores, e não para colorir de fato. Pintou usando as suas três cores e quer finalizar o desenho? Passe o lápis branco por cima e observe o resultado! Outra ferramenta que me ajuda muito a deixar o desenho sem marcas e a misturar as cores é o esfuminho. Para quem não conhece, o esfuminho parece um palito e eu acho que ele é feito de papel. O objetivo dele é esfumar o traço, criando sombras e diversos efeitos diferentes. Ele é muito usado em desenhos realistas e eu adoro usá-lo para misturar as cores com lápis de cor. Para usá-lo, basta passá-lo por cima da parte desejada e pronto. Mas, se você não tiver lápis branco ou esfuminho, um cotonete ou um pedacinho de algodão já ajuda bastante 😉

Essas foram as minhas três dicas para pintar com lápis de cor! Eu sinto que ainda tenho muito o que explorar usando esse material, mas por hoje é isso. Nos vemos no próximo desenho.

Até a próxima,

Thaís Melo

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sexta-feira, 30 de janeiro de 2026

Três formas de deixar os seus exercícios para desenho mais divertida

 

Exercícios para desenho com papel quadriculado

Particularmente, eu nunca fui muito fã de fazer exercícios para “melhorar” o meu traço. Honestamente, eu achava esses exercícios uma tarefa chata e muito repetitiva; além do mais, eu detestava “gastar” material fazendo exercícios ao invés de estar trabalhando em um desenho de fato. Mas isso não significa que esses exercícios não sejam importantes na hora de desenhar. Exercícios de desenho ajudam a melhorar o meu traço e, consequentemente, melhoram o resultado final dos meus desenhos. Então, ao invés de reclamar na hora de repetir traços aleatoriamente, eu criei três estratégias que me fazem querer fazer esses exercícios, sem parecer exercícios de fato.

“Aquecer a mão” antes de desenhar

A prática que mudou muita coisa para mim foi “aquecer” a mão antes de começar um desenho. O que seria isso na prática? Seria fazer alguns desenhos mais simples antes de começar algum desenho. Isso de fato ajuda, pois deixa a mão mais “solta” e o traço fica mais fluido. Isso me ajuda muito, principalmente quando eu vou fazer um desenho com ink, por exemplo, que naturalmente é um tipo de desenho em que o traço influencia muito no resultado final.

 

Exercícios para desenho usando folha A4

 

A técnica da folha de papel A4

Outra maneira de fazer isso sem sentir que está fazendo um exercício de desenho é desenhar pequenos desenhos aleatórios em um papel antes de começar. Eu, por exemplo, tenho uma folha de papel A4 voltada para desenhos aleatórios. Nessa folha eu rabisco, faço desenhos mais rápidos e, assim, além de exercitar o meu traço, eu acabo aquecendo a mão e, algumas vezes, crio sem querer um desenho completo. É uma prática que eu uso bastante e costumo ter uma folha A4 por semana. Algumas vezes eu uso mais de uma folha, outras eu nem completo uma folha, mas o mais importante aqui é fazer um desenho rápido antes de começar um desenho mais detalhado.

 

Exercícios para desenho com papel quadriculado

 

Papel quadriculado pode ser o seu melhor amigo

Outro grande aliado na hora de fazer exercícios para desenho é usar papel quadriculado. Eu gosto muito de desenhar com ink e canetas e, para esse tipo de desenho, praticar o meu traço se tornou uma parte importante do processo. Usar o papel quadriculado, além de criar mais estrutura na hora de repetir o mesmo traço, me permite fazer pequenas “estampas” no papel, algo que deixa todo o exercício mais lúdico e divertido.

Essas são as três formas que eu faço exercícios para desenho e que não me fazem sentir que estou fazendo exercícios. Eu não uso todos eles ao mesmo tempo; existem semanas em que estou trabalhando mais com ink, então eu uso mais o papel quadriculado. Nas semanas em que eu trabalho mais com aquarela, eu prefiro usar o método da folha A4 e, assim, sigo usando o que for melhor para mim.

Mesmo que não seja a minha parte favorita na hora de desenhar, com o tempo eu percebo que praticar é muito importante. Então, por que não deixar essa parte do processo um pouco mais divertida?

Até a próxima,

Thaís Melo

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sexta-feira, 23 de janeiro de 2026

Aquarelas em formato A5 é a minha forma favorita de praticar aquarela.

 

 
Ao criar o desenho desta semana, eu quis testar novas combinações de cores com aquarela. Na hora de fazer esses testes, eu tenho gostado bastante de usar uma folha A5 ao invés de uma folha A4.

É um detalhe muito simples, mas fez toda a diferença para mim! Em primeiro lugar, quando eu vou fazer um teste, ao invés de ter um resultado incerto numa folha A4, eu tenho duas chances ao cortá-la ao meio, transformando-a em duas folhas A5. Isso tirou a pressão que às vezes eu sentia de “não desperdiçar material”. Não me entendam mal: toda a prática dentro da arte é benéfica, mas, honestamente, papel para aquarela não é algo barato e, muitas vezes, podemos ficar com receio de “errar” e até mesmo ter medo de “desperdiçar” o material. Toda essa preocupação, infelizmente, nos impede de criar algo legal e de experimentar ideias novas. Então, cortar uma folha de aquarela A4 em duas (tamanho A5), ou até mesmo em quatro partes na hora de testar algo novo, é uma ótima forma de criar sem essa pressão. E esse novo formato tem sido ótimo para mim.

Eu tenho feito isso há mais ou menos seis meses e, além de ter experimentado várias técnicas novas e misturas de materiais, eu tenho adorado ver o resultado final dessas pequenas aquarelas.

Nesta semana, eu criei mais uma leva de cogumelos coloridos com aquarela e lápis de cor. Desta vez, eu quis testar combinações diferentes de cores, como, por exemplo, tons mais quentes com toques de neon (cogumelo laranja) e até mesmo tons frios e quentes com cores que se complementam (cogumelo roxo e amarelo). O resultado foram esses simpáticos cogumelos, com uma mistura muito interessante de cores.

Até a próxima,

Thaís Melo

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quinta-feira, 28 de novembro de 2024

Aquarela - Parte I - Um Guia Básico com Técnicas, Dicas e Mitos Desvendados

 

O processo do desenho O jardim feito com aquarela, nanquim e lápis de cor

Como não se encantar pela aquarela?!

Além de ser uma forma de pintura lúdica, ela é também um material muito versátil. Você pode usá-la de diversas formas: mais seca e concentrada ou com muita água; apenas a aquarela ou combinada com outras técnicas de pintura. Mas, independentemente da forma como você a utiliza, no post de hoje eu vou contar um pouquinho sobre como uso a aquarela nos meus desenhos e desmistificar alguns "mitos" sobre essa técnica tão especial.


O que é a aquarela?

Aquarela é uma técnica em que se mistura água com tinta própria para criar pinturas e desenhos. Diferentemente da tinta a óleo, por exemplo, que exige solventes para ser diluída, na aquarela você só precisa de água limpa para diluí-la e criar diversos efeitos no papel.


Quais as principais técnicas usadas na aquarela? Wet to Dry e Wet to Wet

Existem diversas formas de trabalhar com a aquarela, e cada artista desenvolve sua própria técnica. No entanto, há dois conceitos básicos que influenciam bastante as escolhas: Wet to Dry e Wet to Wet.

Esses conceitos dizem respeito à quantidade de água usada e, principalmente, se o papel estará molhado ou seco durante a pintura. Como o próprio nome sugere:


Wet to Dry (molhado para seco): você pinta com o papel seco.

Wet to Wet (molhado para molhado): a aquarela é aplicada no papel previamente molhado.


A principal diferença está no controle que você tem durante a pintura e no resultado que deseja alcançar.

Se você é iniciante, sugiro começar com a técnica Wet to Dry. Como o papel está seco, é mais fácil controlar as áreas a serem pintadas. Quando o papel está molhado, a aquarela se torna mais "dinâmica", o que pode ser desafiador no início, resultando em cores misturadas e um aspecto confuso. Conforme você ganha confiança, a técnica Wet to Wet pode criar efeitos belíssimos!

Eu, particularmente, prefiro usar Wet to Dry, pois gosto de ter mais controle sobre o desenho, o que combina mais com o meu estilo de colorir. Mas isso não me impede de experimentar e me divertir com Wet to Wet. 😉


Os 3 principais "mitos" da aquarela


Mito número 1 - Eu preciso usar papel de aquarela para pintar?

Sim, o papel de aquarela é necessário, pois suporta a quantidade de água utilizada nessa técnica. Papéis comuns tendem a rasgar ou deformar ao secar.

Se você usar a técnica Wet to Dry e pouca água, pode até utilizar um papel de desenho, mas as chances de deformação são altas. Como blocos de papel para aquarela costumam ser mais caros, sugiro começar com desenhos menores, cortando as folhas ao meio. Assim, em vez de 12 folhas (normalmente a quantidade em um bloco), você terá 24!

Mito número 2 - Não se usa a cor preta em pinturas com aquarela.

Depende. Isso varia conforme o estilo e a abordagem do artista. Eu, por exemplo, uso bastante preto para sombreamento, pois ele dá dimensão aos meus desenhos. Porém, é uma cor que exige cuidado: por ser mais escura, pode manchar o desenho se usada em excesso. Comece com leves camadas e teste em um pedaço de papel antes de aplicá-la. Outra dica é misturá-la com outros tons para escurecê-los, em vez de usar o preto puro.

Mito número 3 - Não é preciso esperar a pintura secar para criar mais camadas.

Mentira! Para obter os melhores resultados, o ideal é esperar o papel secar completamente entre as camadas. Caso contrário, o desenho pode manchar.

Pinte uma camada e deixe secar. Algumas pessoas usam secador de cabelo, mas eu prefiro deixar secar naturalmente. Quanto mais água for utilizada, maior deve ser o intervalo de secagem.

Para saber se o papel está seco, toque-o com os dedos (frente e verso). Se sentir que ele está frio, ainda há umidade, mesmo que pareça seco. Esse cuidado evita manchas e mantém a qualidade da pintura.

Por hoje é isso! Espero que essas dicas te ajudem a aprimorar sua técnica com aquarela. No próximo post, falarei sobre como uso lápis de cor para dar mais destaque aos meus desenhos com aquarela.

Até a próxima!



domingo, 24 de setembro de 2023

Miniaturas e um pouco de biscuit

Tortinhas em Miniatura


Em 2011, comecei a me interessar por miniaturas. Naquela época, eu mantinha um blog sobre artesanato e uma nova massa de modelar chamada "polymer clay" começava a chamar a atenção na internet. Era difícil encontrar polymer clay no Brasil, por isso, comecei a me interessar pelo biscuit. Ambas são massas de modelar, mas cada uma tem suas peculiaridades.

O tempo passou, e durante a pandemia, retomei a criação de miniaturas de casas, usando materiais reciclados e papel machê. Desde então, as miniaturas passaram a fazer parte do meu processo criativo. Diferentemente de 2011, quando eu me satisfazia apenas em conseguir um pouco de textura em minhas peças, agora desejo entender a melhor maneira de usar o biscuit. Quero aprender a moldá-lo para criar texturas e peças mais realistas e complexas.



Tortinhas em Miniatura


Tortinhas em Miniatura



Isso tem sido um pequeno desafio, eu confesso. Quem já trabalhou com biscuit sabe como essa massa pode ser desafiadora. No entanto, com um pouco de prática e paciência, acredito que estou conseguindo entender melhor como obter os resultados desejados. A melhor forma de aprender algo novo é praticando. Por isso, além de aplicar técnicas do polymer clay no biscuit, tenho explorado o uso de tinta guache, tinta acrílica e aquarela para criar miniaturas realistas de alimentos.

Mas por que miniaturas de alimentos? Talvez você se pergunte. Além de ser divertido, é uma ótima maneira de aprender a criar diversas texturas e formas. Todas as peças que tenho criado estão sendo disponibilizadas na minha loja no Elo7, e este é o resultado das minhas criações nas últimas semanas =)

Até a pŕoxima,

Thaís

Para saber mais:

quinta-feira, 20 de julho de 2023

Desenho, evolução e 6 dicas para lidar com a frustração na hora de desenhar

Ilustração Coffee Coffee Coffee versão 2023

Eu comecei a desenhar quando eu era criança e naquela época, eu acreditava que existiam dois tipos de pessoas: As que sabiam desenhar e as que não sabiam. Eu sempre tive facilidade com o desenho, mas ter facilidade não significa que você desenhará facilmente qualquer coisa que surgir na sua frente.

Por muito tempo isso me causou muita frustração. Como toda pessoa que está aprendendo algo novo, errar faz parte do caminho e minha versão mais nova achava que desenhar significava uma única coisa: desenhar sem errar. Infelizmente, uma parte minha não conseguia entender que para tudo que nos propusermos a fazer, precisamos de muito treino e esforço, e isso significa muito erro.

Hoje em dia eu ainda lido com a frustração de errar, mas entendo que por mais chato que isso seja, faz parte do processo. E além do mais, quanto mais eu erro, mais curto se torna o caminho para aprender algo novo e chegar ao resultado que eu tenho na minha mente.

Nos últimos dias eu revi os primeiros trabalhos com arte digital que eu fiz em julho de 2022. Há exatamente um ano, eu começava a trilhar o meu caminho com arte digital e levei um pequeno susto ao abrir aqueles primeiros desenhos e perceber o quanto o meu trabalho com arte digital evoluiu. Eu fiquei muito feliz por não ter desistido durante as primeiras frustrações e ter continuado. De lá para cá foram muitos erros, acertos e testes para chegar num tipo de arte digital que eu goste de fazer. Como eu comentei no último post, eu gosto muito de arte tradicional e começar a criar arte digital foi um grande passo para mim. Um passo incrível que tem me ensinado bastante.

Eu acredito que um dos motivos que nos causam tanta frustração é o fato de olharmos o trabalho de alguém e vermos apenas aquele momento, e não pensamos em todos os erros e acertos que aquela pessoa passou até chegar ali. Mesmo que nós não percebemos, a gente sempre evolui e só precisamos seguir em frente. Isso é um grande lembrete para aqueles dias onde nada parece dar certo e só temos vontade de jogar tudo para o alto. Tudo passa e para momentos assim eu separei algumas dicas do que eu faço nos meus dias frustrados que me ajudam muito a continuar desenhando.


Versão 2022


Olhe para sua obra de um ano atrás e estude a sua evolução

Essa foi a minha grande lição do mês de julho! Agora sempre que eu me sentir empacada ou frustrada com algum desenho, eu vou olhar a pasta de desenhos de um ano atrás e estudar em que pontos o meu desenho evoluiu. Eu aprendi a fazer sombras? Os detalhes estão mais complexos? O que eu estou fazendo agora e não fazia antes? Esse tipo de perspectiva é capaz de nos tirar da estática e nos fazer nos sentir mais confortáveis com a nossa evolução. 

Pare, respire e tome uma xícara de chá (ou café se você é do time do café)

Muitas vezes a melhor coisa a fazer é parar. Deixar o desenho de lado e fazer outra coisa é a melhor forma da mente descansar e conseguir lidar com algum problema. Para mim, a melhor forma de lidar com dias difíceis é parar, respirar e tomar um pouco de chá. Segurar um xícara quentinha é algo muito reconfortante e sempre me ajuda a relaxar.

Tenha mais de um projeto por vez

Eu não consigo fazer apenas uma coisa de cada vez. Eu estou sempre com vários projetos em andamento. Às vezes são vários desenhos que estou fazendo ao mesmo tempo ou estou trabalhando numa nova série de miniaturas, mas independente do que for, vários projetos me permite mudar de foco quando um dos projetos está me dando um pouco de dor de cabeça.  Tudo é bem simples: Se um desenho não está fluindo naquele dia, basta eu parar, respirar e tomar a minha xícara de chá, e logo depois começar a olhar um outro desenho. Isso sempre funciona comigo e quando eu volto ao desenho “problemático”, tudo se resolve com mais facilidade.

Se possível, saia um pouco de casa e ande sem rumo

Eu simplesmente adoro andar. Eu não preciso fazer nada específico, simplesmente sair de casa e andar pelas ruas, ver os prédios, observar as plantas e as árvores já me deixam de bom humor. Para mim não há nada mais legal do que descobrir um detalhe novo numa rua por onde eu sempre passo. Eu não sei se é a endorfina liberada pela caminhada ou fato de estar ao ar livre, independentemente do que for, andar sempre me ajuda muito a lidar com o estresse e a frustração. 

Deixe o seu desenho “sair de férias”

Algumas vezes você já fez de tudo e o desenho parece não estar funcionando? Então, é hora de você dar “férias” para o seu desenho e começar outro projeto. Quando eu digo férias, eu me refiro a  deixar o seu desenho de lado por algumas semanas e depois voltar nele.  Isso já aconteceu algumas vezes comigo e eu acredito que faz parte do processo. Muitas vezes você tem uma ideia, mas ela ainda precisa de algumas engrenagens para poder se encaixar e formar um todo. Por isso, eu tenho uma pilha de desenhos que eu considero desenhos ativos. São desenhos que eu estou trabalhando e que ainda precisam de algum ajustes e de tempos em tempos, eu revejo toda a pilha. Algumas vezes eu esqueço de alguns desenhos em outras, eu vou direto num desenho específico que eu estava trabalhando antes. Sendo bem sincera, algumas vezes tudo o que você e o seu desenho precisam é de boas férias um do outro ;)


Ilustração Love Raccon


Saiba a hora de desistir, mas nunca descarte uma ideia por completo

Nos últimos meses eu estava obcecada em desenhar um guaxinim. Eu tentei várias ideias e rascunhos e nada parecia funcionar. Depois de xícaras de chá e alguns passeios, eu percebi que era hora de dar férias para o meu guaxinim e pensar em outra coisa. Mas dessa vez, ao retornar o desenho, nada funcionava. Então, eu fui olhar o meu caderninho de ideias e achei uma frase que dizia: Love Raccoon. Pronto! O desenho que não funcionava de jeito nenhum, simplesmente fluiu. A frase surgiu ao escutar o Álbum Branco dos Beatles, onde uma das faixas se chama Rocky Raccon. Enfim, essa frase está escrita no meu caderninho há muito tempo, esperando para virar um desenho e somente agora tudo fez sentido. Por isso, saiba a hora de desistir de um desenho, mas nunca descarte aquela ideia por completo. Eu anoto tudo num pequeno caderno encapado com tecido laranja. Mas você pode anotar no celular, em arquivos ou no que for mais conveniente para você. Por isso, nunca descarte as suas ideias. Muitas vezes ela só precisam de mais tempo para amadurecer.

Dica extra: Anote todas as ideias que você tem! Até mesmo as que parecem bobas ou sem sentido

Essa ideia eu aprendi assistindo a série Seinfeld. Para quem não conhece, Seinfeld é uma série sobre nada que mostra a vida de um comediante e seus amigos. Seinfeld, o comediante, anota todas as suas ideias para os seus shows num pequeno caderno. Desde que eu vi isso, eu achei uma boa ideia e passei a anotar as minha ideias num pequeno caderno. De tempos em tempos, eu foleio o caderno em busca de alguma inspiração e eu sempre me surpreendo com o que eu encontro anotado!

Resumindo

Frustração e erro fazem parte da vida de qualquer pessoa e também fazem parte da vida de um artista. Seja ele iniciante ou com anos de carreira, errar faz parte do caminho. O que eu quero dizer é que devemos aceitar a frustração e aprender a lidar com ela. Ela faz parte do processo e no final, ela irá te ajudar a fazer um trabalho ainda melhor.

Até a próxima,

Thaís