sexta-feira, 1 de maio de 2026

Como vender seus desenhos em plataformas Print on Demand (POD)? Um pequeno guia para artistas iniciantes sobre como começar a vender o seu trabalho – parte 2


Arte Digital Mariposa Mística Café - por Thaís Melo

 

Na parte 2 dessa série de posts sobre como vender os seus desenhos em plataformas Print on Demand (POD), eu irei falar um pouco sobre a importância de saber escrever bons títulos, tags e definições para os seus desenhos.

Quando eu comecei a criar arte para esse tipo de plataforma, eu não me importava com tags, títulos e muito menos em escrever descrições. Para mim, o que de fato importava era a arte por si só. Mas, com o tempo, eu comecei a perceber que, apesar de você ter criado o desenho mais legal de todos, apenas isso não irá te ajudar a ser “encontrado” dentro das plataformas. Infelizmente, essa é a verdade. Para o seu desenho ser visto pelas pessoas, ele precisa ser encontrado, e é nesse momento que as tags, o título e a descrição fazem o seu trabalho.

Por que tags, título e descrição são tão importantes?

As plataformas Print on Demand têm milhares de artes e artistas, e, para uma pessoa conseguir encontrar o seu trabalho sem nenhum tipo de “identificação”, é muito difícil. Por isso, ao criar uma arte, temos que pensar muito bem nesses três pontos para ajudar a pessoa certa a encontrar o seu trabalho.

Título - O primeiro passo

Quando eu comecei nesse universo, eu gostava de criar títulos lúdicos e diferentes, que muitas vezes não tinham nada a ver com o desenho. O resultado? Mais um desenho perdido num mar de outros desenhos dentro das plataformas. Por isso, o título deve descrever o desenho da melhor forma possível. O grande truque aqui é pensar: como uma pessoa procuraria esse desenho dentro da busca? E seguir por esse caminho. Resumindo: na hora de escrever títulos, seja direto e descreva o que você está vendo no desenho.

Tags – Pequenas etiquetas que fazem toda a diferença

Colocar tags nos seus desenhos nada mais é do que colocar pequenas “etiquetas digitais” neles. E essas etiquetas irão ajudar as pessoas a encontrarem os seus desenhos. Imagine que você fez um desenho de um gato. Boas tags para esse tipo de desenho seriam: gato, animal, pet, mãe de gato, cat lady, etc. Quando uma pessoa interessada em desenhos de gatos escrever “gato” na busca dessas plataformas, o seu desenho será listado e a chance dele ser descoberto é muito maior. Mas agora imagine que você fez um desenho de gato, não colocou tags e usou como título “Lulu”, pois você se inspirou no seu gatinho de estimação para desenhá-lo. A pessoa que procura por um desenho de gato não irá encontrar o seu desenho, pois, ao digitar “gato”, o seu desenho chamado “Lulu” jamais irá aparecer. Então, por mais monótono que seja escrever tags e pensar em um bom título, esse pequeno trabalho extra fará toda a diferença.

Como encontrar boas tags para o seu desenho?

Normalmente, esses tipos de plataforma pedem cerca de 15 tags. Esse é um bom número de tags no geral. Uma boa dica também é escrever o que você vê no seu desenho. Pense na cor principal do desenho e em outros detalhes de como ele é feito, por exemplo. Hoje em dia, colocar tags como desenho tradicional, aquarela ou sem uso de AI tem sido uma forma interessante de identificar o seu trabalho, pois tem muita gente interessada em arte não criada por AI. Além do óbvio, pense na história que o seu desenho está contando e faça a sua lista de tags.

Descrições – Descreva o seu desenho e conte uma pequena história.

Como eu comentei no começo do post, eu não escrevia descrições. Eu de fato acreditava que eu não precisava me preocupar com isso, pois ter descrição ou não não faria diferença. Mas, na verdade, o que eu não sabia é que o que está escrito na descrição ajuda os sistemas de busca a encontrar o seu desenho. Se eu não me engano, o Pinterest usa a descrição como uma das principais formas de anexar as imagens a categorias diferentes. Por isso, nunca deixe de escrever suas descrições.

Como escrever uma boa descrição?

Para uma boa descrição, você irá usar as tags que você listou para o seu desenho e, com elas, ajudar a contar uma pequena história para a plataforma de busca e também para as pessoas que encontrarem os seus desenhos.

Com essa breve explicação, vamos usar um dos meus desenhos para mostrar isso tudo na prática. O desenho escolhido é a arte digital em tons de roxo/lilás que está no começo do post. 

Um exemplo prático 

A primeira coisa que me vem à mente ao ver esse desenho é café e mariposa. Um título simples e direto seria Mariposa Café. Mas, para atrair também quem gosta de coisas místicas, eu decidi colocar o título de Mariposa Mística Café. Com esse título, eu posso atrair pessoas interessadas por café, mariposas (insetos, natureza), e “mística” chama a atenção de pessoas que gostam de bruxas, noite ou lua. E por que eu decidi escolher esse caminho? Por conta dos tons de lilás do desenho. Se ele fosse amarelo, com uma borboleta, por exemplo, eu preferiria escolher o título Mariposa Solar Café.

Com o título pronto, vamos pensar nas tags. Vamos pensar em 15 coisas que descrevam esse desenho: café e mariposa são escolhas óbvias. Algo legal de pensar é que tipo de pessoa poderia se interessar por esse desenho. Nesse caso, talvez alguém que goste da noite, insetos, lua, estrelas, talvez bruxaria. Então vamos listando todas essas ideias e depois observando as que fazem mais sentido. Aqui está a minha lista final de tags para esse desenho: mariposa lunar, floral, mariposa, mariposa noturna, mariposa lua, wicca, noite, noturno, roxo, feitiços, místico, amante do café, bruxa, chá, cafeína.

Repare que eu coloquei tags também relacionadas ao universo do café. Dessa forma, você abre mais o leque de possibilidades para o seu desenho. Depois das tags definidas, é hora de escrever a descrição.

Para escrever uma descrição, eu tenho uma pequena fórmula. É apenas um texto base no qual eu troco pequenos elementos de acordo com as tags. O texto é mais ou menos assim:

Título do desenho é um design perfeito para amantes de tag, tag e tag! Este é um ótimo design para presentear sua namorada que estuda tag, entusiastas por tag ou para quem não resiste a tag! Quem adora ilustrações inspiradas em temas tag, adora tag e o estilo tag também irá adorar esse design! Um design tag, perfeito para todos amantes de tag e tag!

Esse é mais ou menos o texto base que eu uso para criar as minhas descrições. Muitas vezes eu faço pequenas alterações para diferenciar um pouco de uma descrição para outra, mas basicamente é isso. Para funcionar, basta trocar o título e a palavra “tag” por uma das tags que você escolheu. O resultado ficou mais ou menos assim:

Mariposa Mística Café é um design perfeito para amantes de café, chás e criaturas místicas! Este é um ótimo design para presentear sua namorada que estuda Wicca, entusiastas por insetos ou para quem não resiste ao mistério das mariposas! Quem adora ilustrações inspiradas em temas holísticos, adora uma boa xícara de café e o estilo floral também irá adorar esse design! Um design misterioso, perfeito para todos amantes de café e os enigmas da noite!

Nessa descrição, há muitos elementos diferentes que irão levar pessoas diferentes ao seu desenho. É importante observar que não ficamos apenas restritos ao café e à mariposa. Isso faz muita diferença no resultado final. Acho importante dizer que isso é apenas uma base. Aproveite para modificar e inovar de acordo com cada desenho que você faz.

Hoje eu sei o que funciona para mim e o que não funciona mais. Para finalizar esse post, três dicas finais do que eu não fazer de jeito nenhum na hora de escrever o título e as tags para os meus desenhos:

  • Escrever títulos rebuscados e que não tenham nada a ver com o seu desenho 
  • Usar tags genéricas. Quando eu falo em tags genéricas, eu me refiro a tags como “cute”, “fofo” ou “bonito”. Essas tags não descrevem nada, então não vale a pena usá-las.
  • Usar as mesmas tags para todos os seus desenhos. Esse é um erro muito comum que não vai te levar a lugar nenhum. Pense no seguinte: cada desenho é único e merece ter as suas próprias tags.

Eu sei que isso tudo dá muito trabalho, principalmente para quem está começando, mas separar um tempo e pensar com cuidado nas suas tags e nas suas descrições fará toda a diferença.

E, por fim, pense nas tags, descrições e no título como parte do desenho, e não como algo chato que precisa ser feito. Mudar um pouco de postura diante disso ajuda bastante o processo. Eu sei que pode parecer muita coisa ou ser um pouco complicado, mas o importante é lembrar que, depois de alguns desenhos, isso será parte natural do processo e você nem pensará mais nisso.

Eu espero que esse post tenha ajudado e, no próximo post da série, eu falarei um pouco das ferramentas que eu precisei aprender a mexer para começar a colocar os meus desenhos nesse tipo de plataforma.

Até a próxima,

Thaís

 Para saber mais: 

Como vender seus desenhos em plataformas Print on Demand (POD)? Um pequeno guia para artistas iniciantes sobre como começar a vender o seu trabalho – parte 1

sexta-feira, 24 de abril de 2026

Como vender seus desenhos em plataformas Print on Demand (POD)? Um pequeno guia para artistas iniciantes sobre como começar a vender o seu trabalho – parte 1

Arte Leah - Stardew Valley vendida no Redbubble, Teepublic, Threadless e Colab55

 

Esse é um texto que eu estava com vontade de escrever há algum tempo. E honestamente? Eu gostaria de ter lido algo assim quando comecei a trilhar o meu caminho através das plataformas Print on Demand. Inicialmente, eu iria fazer apenas um post sobre o assunto, mas como o texto ficaria muito longo, eu decidi dividi-lo em várias partes.

Quando o desenho passou a ser uma parte importante dos meus dias, mais ou menos em 2018/2019, eu comecei a me interessar por plataformas em que eu pudesse comercializar o meu trabalho. Foi quando eu descobri o mundo das plataformas Print on Demand. Essas plataformas são sites onde artistas podem colocar os seus desenhos para serem vendidos em forma de produtos como canecas, camisas, quadros, etc. Internacionalmente, temos o Redbubble, Teepublic e o Threadless, entre outras. No Brasil, eu acho que a mais conhecida é o Colab55.

Como essas plataformas funcionam?
O artista recebe uma porcentagem de cada item vendido que contenha uma arte sua. Dependendo da plataforma, o artista não tem nenhum custo, e o seu único trabalho é colocar a sua arte no site. A grande vantagem é que o artista não tem o trabalho de fabricar o item, pensar em estoque ou na logística da entrega — ele só precisa pensar na sua arte e no seu processo criativo.

De fato, parece ser um ótimo negócio, mas, com o passar do tempo, eu aprendi que nem tudo era tão simples assim. Essas plataformas têm milhares de artes e artistas. Ou seja, muita concorrência. Então, ser encontrado pode ser um pequeno desafio. Outro ponto que eu considero negativo são as porcentagens que os artistas recebem (que ficam na faixa de 10% do valor do produto). Com o tempo, eu entendi que o meu trabalho não era apenas desenhar, mas também trabalhar na qualidade do arquivo que eu enviava para a plataforma, pensar em títulos, tags, boas descrições e conhecer um pouco sobre marketing.

Nesse primeiro post, eu falarei sobre as plataformas que eu conheço e mais uso. Atualmente, eu trabalho com quatro plataformas: Redbubble, Teepublic, Threadless e Colab55.

Aquarela O Rabanete

 

Redbubble – “A” Plataforma

O Redbubble foi a primeira plataforma internacional em que eu entrei. Eu acho que ela é uma das maiores do mundo atualmente e ela mudou muito desde quando eu ingressei nela, por volta de 2018.

Hoje, ela tem taxas e uma espécie de classificação dos artistas que, honestamente, eu não entendo exatamente como funciona. Quando eu entrei na plataforma, isso não existia. Agora, além dessa classificação que dá certos benefícios para algumas categorias, o artista paga uma pequena taxa por cada item vendido, que é descontada diretamente do seu pagamento. Honestamente, eu não sei como seria entrar na plataforma atualmente com todas essas mudanças, mas quando eu ingressei, o processo foi muito tranquilo, mesmo sendo a minha primeira experiência com uma plataforma internacional.

Sobre o layout do site e os produtos, o Redbubble tem uma gama muito grande de itens, que variam de camisetas a colchas, canecas e aventais. São muitas possibilidades. Colocar a arte na plataforma é relativamente simples: você pode alterar a cor do fundo se a sua arte tiver fundo transparente e, além disso, há uma ferramenta que permite transformar a sua arte em rapport (estampa) sem precisar acrescentar um novo arquivo.

Outra coisa interessante é que eles têm convênios com certas marcas que permitem que o artista crie artes licenciadas para serem vendidas no Redbubble. Esse tipo de arte é analisado por mais ou menos três meses, e depois eles te avisam se o seu desenho foi aceito ou não pelo programa.

As desvantagens do Redbubble

Como eu comentei acima, eu não sei como seria ingressar na plataforma em 2026 com todas essas mudanças. Mas ainda é um lugar interessante para expor o seu trabalho.

As desvantagens, para mim, seriam a forma de pagamento do Redbubble: o valor só é liberado caso você tenha atingido o mínimo de 20 dólares acumulados no mês. Caso não alcance esse valor, o pagamento é retido até o mês seguinte.

Outro ponto complicado em relação ao Redbubble é a questão de direitos autorais. Eles levam isso muito a sério e, por isso, muitas fan arts são retiradas sem aviso prévio. Por isso, é melhor tomar cuidado.

Arte Digital Dragon Noddles

 

Teepublic – A alternativa

Eu ingressei no Teepublic depois do Redbubble, e a minha experiência foi completamente diferente. O processo foi um pouco mais estressante do que eu esperava, mas, para mim, valeu a pena — tanto que uso a plataforma até hoje.

O primeiro ponto foi o fato de que o Teepublic só vendia camisetas e, a princípio, isso me parecia uma plataforma com um nicho mais específico. Mas, desde que a plataforma foi comprada pelo Redbubble, ela passou a ter mais itens, como canecas, bermudas e bonés, por exemplo.

Mas o principal problema que eu tive ao entrar no Teepublic foi que a minha loja não era visualizada dentro da plataforma. Eu colocava minhas artes, mas elas não apareciam nas buscas. Na época, eu fiz uma grande pesquisa na internet para entender como isso funcionava e li diversas opiniões diferentes. Alguns falavam que era necessário ter um certo número de artes na plataforma, outros diziam que o que contava era o tempo de atividade da loja. No fim, sem saber ao certo o que fazer, eu mandei um e-mail para eles, e a minha loja passou a ser exibida.

Assim como no Redbubble, colocar a sua arte na plataforma é muito simples. Eu diria que é até mais simples, e com apenas um arquivo, praticamente todos os itens já ficam prontos. Se a sua arte tiver fundo transparente, você também pode modificar a cor do fundo e, em poucos passos, ela já estará estampando camisetas e outros produtos.

Para mim, a grande vantagem do Teepublic é o pagamento. Diferente do Redbubble, tudo o que você vender é pago mensalmente, no dia 15, sem valor mínimo.

As desvantagens do Teepublic

O foco da plataforma ainda é camiseta, então alguns desenhos podem não funcionar muito bem nesse tipo de produto. Além disso, o fato de você passar um tempo sem aparecer nas buscas quando começa na plataforma pode ser desafiador. Até hoje, eu não consegui entender exatamente o que é necessário para ser “encontrado”. No geral, porém, é uma plataforma muito simples e intuitiva para quem está começando.

Lettering Ela é minha menina

 

Threadless – A social

Se eu não me engano, eu entrei no Threadless em 2023, e eu gosto bastante da plataforma. Ela tem taxas pequenas, se comparada ao Redbubble, um layout simples de usar e uma boa variedade de produtos. Outro ponto interessante é que ela tem pequenos desafios dentro da plataforma, onde você pode inscrever os seus desenhos e, se for um dos mais votados, pode ganhar prêmios, além de mais exposição.

Ela é menor do que as outras duas, mas já está no mercado desde 2000 e é uma boa forma de começar.

As desvantagens do Threadless

Das três, atualmente, ela talvez seja a melhor para quem está começando. Não tem grandes taxas, não tem classificação de artistas e é bastante amigável. Se eu pudesse apontar uma desvantagem, seria o tempo de liberação dos pagamentos. Não há valor mínimo, mas os ganhos ficam retidos por um período maior, o que pode tornar o processo mais lento. O pagamento é feito no dia 18 de cada mês.

Arte Digital Folhas de Sonho - Rita Lee

 

Colab55 – A nacional

Antes de entrar no Redbubble, eu me aventurei no Colab55. A grande vantagem é a língua. Como você cria para o público do seu país, é muito mais fácil pensar em frases e ideias que façam sentido para quem fala a mesma língua que você.

Outro ponto importante é que é uma plataforma fácil de entrar, não tem taxas extras para o artista e também não exige valor mínimo para pagamento. No Colab55, os pagamentos são feitos no último dia de cada mês.

As desvantagens do Colab55

A primeira, para mim, é o pagamento em real e não em dólar. Muitas vezes, é preciso vender muito mais itens para alcançar o valor de uma única venda em plataformas internacionais.

Outro ponto negativo é que você precisa criar uma arte diferente para cada produto que quiser vender. Isso demanda mais tempo e trabalho. Por isso, uma dica importante — principalmente se você usar o Colab55 — é criar templates para a sua arte. Assim, fica mais fácil adaptar para os diferentes produtos exigidos pela plataforma.

Resumo final

Esse foi um pequeno apanhado das plataformas que eu uso atualmente. Eu já testei outras, mas acabei saindo porque senti que não valia o tempo investido em tantas plataformas ao mesmo tempo.

Para quem está começando, eu diria para começar pelo Colab55, se acostumar com esse tipo de plataforma, depois ir para o Threadless e, em seguida, Teepublic e Redbubble.

Eu sei que algumas plataformas mudaram muito com o tempo, mas ainda acredito que elas oferecem boas oportunidades — principalmente se você gosta de criar pensando em nichos. Mas isso fica para um próximo post.

No próximo texto, eu falarei sobre títulos, tags e descrições. Pode não parecer, mas isso é muito importante.

Até a próxima,
Thaís

sexta-feira, 17 de abril de 2026

Desenho da semana – Cogumelos em lápis de cor e aquarela

Aquarela Cogumelos e Caracol - Thaís Melo 2026

 

O que eu gosto de desenhar quando não preciso pensar em mais nada? Eu não preciso pensar se será bem aceito pelas outras pessoas ou se é um desenho “vendável”? O que eu gosto de desenhar, simplesmente porque eu gosto? E a resposta para essa pergunta é: cogumelos.

Eu passei muito tempo desenhando apenas em preto e branco, e desde que comecei a desenhar com cores, os cogumelos têm sido o meu tema favorito. Eu sempre gostei de um toque de surrealismo, então desenhar com muitas cores, usando formas diferentes e criando algo mais lúdico, tem sido muito bom para mim.

O desenho dessa semana foi exatamente isso: desenhar o que eu gosto. Normalmente, esse tipo de desenho é mais demorado e muito mais tranquilo de ser feito. É como se a minha mente relaxasse um pouco mais e tudo fluísse. Quando eu faço esse tipo de desenho, não existem erros, apenas “felizes acidentes”. Essa frase do Bob Ross está sempre presente na minha mente enquanto eu desenho…

Um criativo final de semana, e tente desenhar algo que de fato você goste ;)

Até a próxima,
Thaís

Para saber mais:
Originais e miniaturas na minha loja no Elo7
Desenhos e artes digitais no meu studio no Colab55

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Papel para aquarela
Paleta para aquarela Pentel
Paleta para aquarela Artools
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sexta-feira, 10 de abril de 2026

O Caminho do Artista – um resumo

Livro O Caminho do Artista - Julia Cameron

 

Eu acho que conheci o livro O Caminho do Artista por volta de 2018. Naquele momento, muita gente estava fazendo resenha sobre o livro e não demorou muito para eu ficar curiosa sobre o assunto. Afinal de contas, o livro fala sobre criatividade, e esse é um assunto que eu sempre me interessei muito. No Natal de 2019, eu ganhei o livro de presente e, em janeiro de 2020, eu comecei a lê-lo.

Sobre o que fala o livro?

O Caminho do Artista fala sobre criatividade. E também explica como nós, seres criativos, devemos nos reconectar com o nosso artista interior. Apesar do nome, O Caminho do Artista não é um livro voltado apenas para artistas, mas sim para qualquer pessoa que deseja se reconectar com a sua própria criatividade.

Como funciona o livro?

O livro é uma espécie de programa que dura 12 semanas. A cada semana, além de temas específicos, você tem tarefas e sugestões de práticas para ajudá-lo a acessar a sua criatividade. As duas orientações básicas do livro, e também as mais comentadas, são as páginas matinais e o encontro com o artista.

 


 

O que são as páginas matinais?

As páginas matinais nada mais são do que escrever o que vier à sua mente por 3 páginas inteiras todas as manhãs. Não uma ou duas páginas, mas pelo menos três páginas. A autora explica que essas páginas são uma forma de aliviar o estresse e as preocupações da vida colocando tudo no papel. Essa é a prática que eu mantenho até hoje, seis anos depois de ter lido o livro pela primeira vez. Eu confesso que nem sempre escrevo as três páginas, mas procuro manter o hábito. De fato, para mim, escrever funciona como uma válvula de escape e também um pequeno laboratório de novas ideias. Definitivamente, foi a minha parte favorita do livro!

 


 

 O que é o encontro com o artista?

O encontro com o artista é um encontro que você faz com você mesma toda semana. O mais importante desse encontro é fazê-lo, de preferência, sozinha e que seja algo divertido. Algo que a sua criança interior gostaria de fazer. Pode parecer complicado, mas é algo simples, e o livro dá diversas sugestões do que você pode fazer.

O encontro com o artista é algo que, dependendo da semana, para mim é um pouco difícil de ser cumprido, mas eu admito que ele ajuda muito no processo. Você redescobre interesses perdidos, aprende coisas novas e toda a experiência, de fato, ajuda a redescobrir a sua criatividade. De todos os encontros do artista que eu fiz, dois foram especialmente divertidos: sair para andar na praia — e nesse dia eu encontrei diversas conchas! — e o dia em que eu fiquei algumas horas fazendo colares coloridos com contas e miçangas.

Como podem ver, o encontro com o artista não é para ser algo caro ou complicado, mas é algo para você fazer com o seu pequeno artista interior. Uma boa dica é pensar no que você gostava de fazer quando era criança. Talvez você gostasse de colorir, usar adesivos, colecionar folhas etc., e esse é o caminho.

Qual foi a minha experiência com o livro?

Como eu comentei, eu li o livro pela primeira vez em 2020 e foi uma leitura muito importante para mim. Estávamos no começo da pandemia e foi importante ter algo com que eu me dedicasse naquele momento. Durante essa leitura, eu realizei todos os encontros com o artista dentro de casa. Então, tive o encontro com as contas e as miçangas. Teve momentos em que eu assei bolo ou tentei fazer croissant. Eu também bordei e costurei como parte dos meus encontros. Nessa primeira leitura, eu aprendi bastante e percebi vários bloqueios que eu adquiri com o passar dos anos com relação ao que era ser artista.

A segunda vez que eu li o livro foi no ano passado. Dessa vez, eu saí mais nos meus encontros com o artista, como, por exemplo, caminhar na praia, andar no parque ou ir até um brechó e encontrar algo muito barato e divertido para mim. No caso, foi uma pequena caixa de madeira. Nessa época, eu decidi reler o livro, pois estava me sentindo estagnada criativamente, e foi ótimo voltar a pensar em criatividade. O mais impressionante é que o livro me parecia completamente novo. Mais questões apareceram para mim, e terminei as doze semanas com ideias novas e me sentindo muito mais confiante com a minha criatividade e, por consequência, com os meus desenhos.

Vale a pena ler o livro?

Definitivamente! Mesmo que você não trabalhe com algo diretamente ligado à criatividade, somos seres humanos e naturalmente criativos. Ele é um convite para nos reconectarmos com as coisas divertidas da vida e, para mim, desenhar é isso. Atualmente, eu decidi reler o livro. Quando senti que estava com preguiça de escrever as minhas três páginas matinais, achei que estava na hora de relembrar o motivo pelo qual eu escrevo todas as manhãs.

Independente de você ser artista ou não, O Caminho do Artista é um convite para olharmos para a nossa vida com outros olhos. Talvez com olhos mais curiosos e aprendermos a aceitar que levar a vida com um pouco mais de criatividade pode ser um ótimo caminho a seguir.

Até a próxima,

Thaís

 

sexta-feira, 27 de março de 2026

Ilustração da semana: Cogumelos Amanita muscaria em aquarela

 

Aquarela Cogumelos Amanita muscaria

Para mim, mais importante do que desenhar é continuar desenhando. E o que isso quer dizer? Mesmo que eu já tenha desenhado algo inúmeras vezes, eu sempre irei aprender algo novo ao desenhar o mesmo tema novamente.

Nesta semana, isso não foi diferente. Eu pintei uma pequena série de cogumelos Amanita muscaria com aquarela. A grande diferença dessa série foi que eu decidi não fazer nenhum tipo de rascunho com lápis. Ou seja, pintei os cogumelos diretamente no papel. Honestamente, pintar com aquarela já é uma aventura por si só, mas pintar sem nenhum tipo de rascunho é algo novo para mim.

A princípio, parece que tudo vai dar errado. Ao deixar a peça secando, eu olhava para o papel e via apenas manchas de tinta perdidas em meio ao fundo branco, mas procurei lembrar a mim mesma que isso faz parte do processo e que nós só precisamos continuar. E assim eu fiz, até terminar todo o desenho.

O resultado foram cinco simpáticos cogumelos. Os mesmos cogumelos que eu tenho desenhado nos últimos meses, mas pintados de uma forma completamente diferente.

Por mais que eu tente, nenhum desenho é igual ao outro. Eu posso tentar desenhá-lo do mesmo jeito, mas eles nunca serão iguais. E é durante esse processo de desenhar e redesenhar o mesmo tema que aprendemos algo novo. Pode ser um traço diferente, o mesmo desenho sem um rascunho prévio, uma sombra colocada levemente de outra forma ou uma nova mistura de cores inusitada criada por engano.

Tudo isso faz parte da magia do desenho: a gente sempre aprende algo novo!

Até a próxima,
Thaís

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sexta-feira, 6 de março de 2026

A rotina por trás dos desenhos: Como criar uma rotina para desenhar?


Imagine um artista olhando fixamente para uma enorme tela em branco. Ele respira fundo e começa a pintar pinceladas expressivas por toda a tela. Essa é uma imagem que por muito tempo eu cultivei relacionada ao que era ser artista: esperar a inspiração e pintar a sua próxima obra-prima. Mas no dia a dia, ser artista é um pouquinho diferente.

Com o tempo você aprende que desenhar é como qualquer coisa na vida: você precisa praticar. E um ponto importante que eu aprendi é que, para eu criar cada vez mais e desenvolver o meu desenho, eu precisava ter uma pequena rotina. E honestamente? Ela está muito distante dessa imagem de artista em busca da sua musa inspiradora que eu tinha.

Quando eu comecei a desenhar, eu de fato achava que “artistas de verdade” não precisavam ter rotinas ou praticar, pois afinal de contas “artistas” já nasciam com “talento”. Eu fico feliz e muito aliviada de ter deixado esse tipo de pensamento para trás. Ele me impedia de melhorar o meu trabalho e agora eu percebo que, para desenhar, eu não preciso de inspiração, mas sim de muita prática e uma rotina que seja compatível com a minha vida.

É ótimo quando temos aquelas semanas cheias de ideias novas e desenhamos bastante. Mas e as semanas de branco criativo? Ou aquelas semanas em que acontecem um milhão de coisas à sua volta e você mal consegue pensar no lápis e no papel? São para esses momentos que eu aprendi o quanto é importante ter uma pequena rotina para o desenho.

Não precisa ser nada elaborado, apenas algo que funcione para a sua vida. E assim, conforme o tempo for passando e você for desenhando consistentemente, você não apenas ficará feliz por manter esse hábito, mas verá que seu traço e estilo evoluirão bastante!

Como criar uma rotina para desenhar?

Escolha quantas vezes por semana você quer desenhar.

Uma vez por semana? Três vezes? De quinze em quinze dias? A quantidade não importa, mas decida quantas vezes por semana você quer desenhar e crie esse compromisso com você mesmo. Eu, por exemplo, trabalho em um desenho novo toda semana. Ele pode ser mais elaborado ou mais simples, isso não importa. O que importa é que eu desenhe algo novo toda semana.

Agora decida o horário e o dia da semana em que você irá desenhar.

Como eu comentei no início deste post, não precisa ser nada muito rígido ou formal, apenas escolha o dia da semana e o horário. Eu, por exemplo, desenho na segunda e na terça-feira, na parte da tarde. Eu escolhi dois dias porque, se por acaso eu não desenhar na segunda por algum motivo (imprevistos acontecem e eu irei falar mais sobre isso no próximo parágrafo), eu tenho a terça-feira. E em algumas semanas eu faço um desenho mais elaborado e não consigo terminá-lo todo em um dia, então eu posso terminá-lo no outro. Para mim, um pouco de flexibilidade sempre é muito importante.

Mas vai ter aquela semana em que será quinta-feira e eu ainda não comecei o meu desenho. Nessas semanas, eu parto para o mais fácil e prático para mim: cogumelos. Desenhar cogumelos é o meu “desenho conforto”, digamos assim. Então eu faço um pequeno desenho de cogumelo e sigo em frente. O importante aqui é eu manter a minha rotina, mesmo em meio ao caos. Manter a minha rotina é uma forma de eu mostrar para mim mesma o quanto o desenho é importante, e até agora isso tem funcionado muito bem. Ao olhar para aquela semana e ver o desenho pronto, mesmo pequeno e simples, eu sinto que consegui fazer aquilo com que eu me comprometi.

Imprevistos acontecem, por isso aprenda a ser flexível

Numa semana ideal, tudo irá correr perfeitamente, mas nem sempre é assim, como eu já comentei. Nessas semanas, apenas faça o possível. Se o seu dia de desenhar é na terça-feira e você não teve tempo, tente em outro dia e está tudo bem. O importante é procurar manter a rotina de desenho da melhor forma possível. Se realmente não deu para desenhar naquela semana, OK, respire fundo e desenhe na próxima.

Se pergunte: por que você está fazendo isso?

Por que é importante para você desenhar? Para mim, não é apenas por ser parte do meu trabalho, mas porque eu amo criar algo. Eu não consigo ficar 100% bem sem criar nada, e o desenho é parte fundamental nisso. Desenhar é muito importante para mim. Então, antes de criar uma rotina e acabar se frustrando nas semanas em que a vida acontece mais depressa do que a gente gostaria, se pergunte o motivo de você ter começado a fazer isso. Pensar nisso sempre me ajuda a criar motivação e continuar. Com o tempo, a nova rotina sempre fica mais fácil.

O mais importante: divirta-se no processo

Desenhar é prática. Haverá dias em que você desenhará com facilidade e haverá dias em que nada irá ficar bom, mas tudo bem. Nem todo desenho precisa ser perfeito. O importante de ter uma rotina de desenho é aprender a ter um espaço para criar. Independentemente de você ser uma artista profissional ou não, ter uma rotina irá permitir que você veja o seu progresso.

Pense no seguinte: se você se comprometer a desenhar 1 desenho novo por semana, no final de 1 mês você terá 4 novos desenhos. Isso pode não parecer muito, mas ao final de 1 ano você terá 52 novos desenhos — e isso é um marco incrível!

Por hoje é isso.

Até a próxima,

Thaís Melo

Para saber mais:
Originais e miniaturas na minha loja no Elo7
Desenhos e artes digitais no meu studio no Colab55


sexta-feira, 27 de fevereiro de 2026

Meu primeiro desenho digital com a minha mesa digitalizadora XP Pen Deco 01 V3 + Projeto Let’s Grow

O universo - Arte Digital Thaís Melo

 

ProjetoLet’s Grow

No final de 2025, eu estava lendo um artigo no Redbubble em que falava sobre o projeto Let’s Grow. O projeto Let’s Grow é uma iniciativa que busca incentivar novos artistas, doando mesas digitalizadoras para eles. Eu não conhecia o projeto e achei muito interessante a iniciativa.

Eu comecei a desenhar com lápis e, aos poucos, fui experimentando novas mídias. Tive uma fase muito forte desenhando com ink, até começar a usar aquarela e passar a experimentar mais cores. Durante essa transição, do desenho em preto e branco para desenhos com mais cores, eu passei a criar arte digital. O que eu mais gosto na arte digital é a maneira como eu penso sobre o desenho. Eu comentei sobre isso no post da semana passada: ao invés de pensar em texturas, como eu penso quando pinto uma aquarela, quando crio uma arte digital eu penso em camadas. E pensar dessa forma é algo muito interessante para mim e me deixa muito curiosa sobre as formas de criar e refletir sobre o meu processo criativo.

Voltando ao projeto Let’s Grow, quando eu li sobre ele e descobri que a 10ª edição estava aberta, fiquei curiosa, animada, mas também em dúvida se eu teria o perfil “correto” para me inscrever. Afinal de contas, eu fazia arte digital, mas também desenhava com técnicas tradicionais. Será que esse projeto não seria mais “apropriado” para “artistas digitais”? E, em meio a todos esses pensamentos, foi quando eu percebi que essas perguntas, na verdade, eram apenas medo de tentar algo novo. O que eu poderia fazer se tivesse uma ferramenta apropriada? Até onde a minha criatividade me levaria com isso? Com esse novo pensamento em mente, eu respirei fundo, me inscrevi e não pensei mais sobre o assunto. E, para minha surpresa, em meados de dezembro, recebi uma mensagem avisando que eu havia sido uma das contempladas!

Eu fiquei muito surpresa e, ao mesmo tempo, emocionada por ter sido uma das artistas escolhidas. Quando a mesa digitalizadora chegou, de fato foi um momento muito especial para mim. A minha emoção não era apenas sobre o reconhecimento do meu trabalho como artista, mas também sobre a animação de estar diante de uma ferramenta tão legal. O meu primeiro pensamento foi: Uau! Essa mesa é enorme!

Como foi o meu primeiro desenho digital com a mesa digitalizadora

Eu decidi usar programas que já utilizo normalmente, então usei o Inkscape para criar o contorno e o Krita para colorir. Já adianto: usar uma mesa para colorir é uma experiência completamente diferente.

Eu pude pensar em texturas, ao invés de camadas, ao criar a arte digital, e isso é uma experiência nova para mim. Eu sinto que ainda tenho muito o que aprender, mas fiquei muito feliz com a minha primeira experiência.

Eu ando numa fase em que tenho pintado muitos cogumelos, e esse desenho reflete isso. Cogumelos, astronautas e muitas cores. O mais legal foi experimentar usar vários pincéis e texturas e observar como isso funciona digitalmente. Eu adorei o resultado, e o fato de a mesa ser enorme com certeza me ajudou muito. É um processo diferente, e agora eu só quero aprender cada vez mais. Talvez eu escreva, daqui a um ano, um novo post contando como está sendo desenhar com a minha mesa. Quem sabe?

Eu quis escrever este post não apenas para falar da experiência de ter e usar uma mesa digitalizadora, mas também para deixar um registro desse projeto, que me proporcionou não apenas uma ferramenta que vai me ajudar muito como artista, mas também uma experiência tão especial.

Muito obrigada ao projeto Let’s Grow e à XP Pen, que foi a patrocinadora dessa edição. E, se você é artista, vale muito a pena conhecer o projeto e se inscrever nas próximas edições. Eu descobri sobre a 10ª edição através do Instagram do projeto, então vale a pena sempre ficar de olho.

Por hoje é isso.

Até a próxima,

Thaís Melo

Para saber mais:
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Desenhos e artes digitais no meu studio no Colab55

 

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2026

Como eu faço os meus desenhos? Pensando um pouco sobre o meu processo com arte digital e com arte tradicional

 

Minha folha de "rascunhos"

Como eu costumo desenhar? Esta foi a pergunta que eu me fiz essa semana, enquanto eu pintava uma aquarela de cogumelos. O desenho ainda está no meio do caminho, mas a pergunta me fez ter a ideia de pensar sobre o assunto e escrever este post.

Todos os meus desenhos começam com um rascunho a lápis. Não importa se eu pintarei com aquarela ou se ele se tornará uma arte digital, todos os meus desenhos começam com um papel e um lápis.

Depois do rascunho pronto, eu decido se ele vai ser pintado manualmente ou digitalmente. Se ele for se tornar uma arte digital, eu faço o contorno com caneta (ink) no desenho; em seguida, ele é escaneado, transformado em vetor e depois colorido digitalmente. Caso ele seja pintado manualmente, eu começo o processo de pintura da base das cores e, ao final disso, eu costumo fazer o contorno.

Acho que essa é a diferença básica entre arte digital e arte tradicional para mim: na arte digital, eu faço o contorno antes da cor base; mas na arte tradicional, como a aquarela, por exemplo, eu faço o contorno no final.

E por que eu faço isso?

Quando eu uso aquarela, por exemplo, eu misturo muitas cores no processo, e o contorno limita um pouco essa mistura. Por isso, é mais lógico terminar o desenho com o contorno. Já na arte digital, eu penso em camadas de cores e não em mistura. Por isso, o contorno funciona tão bem no início do processo.

Quando eu desenhava sem usar cores, a parte de “colorir” o desenho, digamos assim, era feita com um detalhamento muito maior. Então, mesmo com desenhos em preto e branco, eles tinham muitas texturas que criavam a sensação de sombra e profundidade.

Foi interessante pensar um pouco sobre o meu processo, pois isso me faz entender o motivo de cada passo dentro dos desenhos. Conhecendo esses passos, eu posso, com muito mais consciência, mudar a ordem, experimentar novos processos só para ver o que acontece.

Esse post, além de me ajudar a enxergar com mais detalhe o meu processo, me ajuda a simplesmente ilustrar que, dentro da arte, se conhecer pode ser a nossa melhor ferramenta. Apenas dessa forma podemos criar liberdade para mudar o nosso próprio processo e descobrir coisas novas.

Por hoje é isso.

Até a próxima,


Thaís Melo

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2026

O que desenhar em semanas de branco criativo?

 

Aquarela Cogumelo Azul 


Existem aqueles ciclos em que você não consegue parar de usar um certo material, uma técnica nova que não sai da sua cabeça, ou talvez seja um tema específico que fica retornando aos seus desenhos. Mas também existem momentos em que você não sabe ao certo o que desenhar. Como tudo na vida, desenhar envolve ciclos: ciclos de muita produtividade e ciclos de puro silêncio. E, antes de mais nada, isso é mais do que normal.

Esta semana eu diria que foi uma semana de silêncio criativo para mim. Eu não tive muitas ideias e, por mais incômodo que isso seja, o importante é apenas desenhar alguma coisa e seguir em frente. Algo que eu aprendi com o tempo é que desenhar, antes de mais nada, é treino. Por isso, a lição mais importante que eu aprendi é não levar os meus desenhos muito a sério, no sentido de que eles não precisam ser perfeitos. Vai haver desenhos de cujo resultado eu vou gostar e vai haver desenhos de que eu não vou gostar, e tudo bem. O mais importante para mim é continuar criando, independente do resultado.

Então, o que fazer em semanas de branco criativo?

 

Apenas continue desenhando.

Para mim, o que melhor funciona é começar com um desenho simples e sem rascunhos. Por exemplo, esta semana eu queria voltar a desenhar cogumelos, mas eu não estava conseguindo criar um rascunho de que eu gostasse. Eu parei o desenho e comecei a pintar um cogumelo livremente com aquarela. Apenas misturando as cores, sem pensar muito no desenho final. O resultado foi um cogumelo azul pintado com aquarela. O desenho desta semana foi do jeito que eu imaginava? Não. Mas eu fiquei feliz de ter desenhado algo. Desde que eu criei um compromisso comigo mesma de desenhar algo toda semana, ter um progresso pequeno é muito melhor do que simplesmente não fazer progresso nenhum.

É muito fácil a gente pensar apenas no resultado, principalmente nos dias atuais, em que tudo tem que ser perfeito e “para ontem”. Mas desenhar, independente da mídia que você use, é um processo. E, como todo processo, ele precisa ser respeitado. Então, na próxima vez em que você estiver sem ideias, apenas desenhe. Livremente. E continue assim, até o próximo ciclo chegar.

Até a próxima,

Thaís Melo

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sexta-feira, 6 de fevereiro de 2026

Três dicas simples para pintar melhor com lápis de cor

Fan Art - Stardew Valley

 

O lápis de cor foi um dos primeiros materiais que usei quando comecei a desenhar. Na época, era muito comum o uso de lápis de cor aquareláveis e, por muito tempo, essa foi a forma de colorir que eu mais utilizava. Por mais que eles fossem úteis e práticos, eu achava o lápis de cor um pouco limitado. Eu não gostava de como ele deixava marcas de traço no papel e, por mais que eu tentasse, não conseguia fazer um efeito de sombra como eu queria. Por conta disso, eu acreditava que o problema era o lápis de cor, mas hoje percebo que o problema era que eu não sabia usá-lo e, assim, não descobri naquela época todo o seu potencial.

O tempo passou, eu experimentei várias mídias diferentes e, no ano passado, comecei a incorporar cada vez mais o lápis de cor nos meus desenhos. Eu adoro o efeito que ele dá, principalmente quando o uso junto com a aquarela. Mas, afinal, o que mudou? Mesmo que os lápis não sejam os mesmos, eu aprendi que, com alguns truques, podemos deixar a pintura com lápis de cor muito bonita e repleta de sombras e texturas.

 

Três dicas simples para pintar melhor com lápis de cor

 

Sempre comece a pintar do mais claro para o mais escuro

Eu consegui entender melhor esse “conceito”, digamos assim, depois que comecei a pintar com aquarela. Quando uso aquarela, preciso começar a pintura com cores mais claras (e diluídas) e depois seguir para os tons mais escuros. Caso contrário, é quase impossível inverter essa ordem sem prejudicar o resultado final. Com o lápis de cor acontece exatamente o mesmo. Eu começo o desenho com as cores claras e a mão super leve, para depois acrescentar os tons mais escuros, misturando as cores. Dessa forma, consigo criar o efeito de luz e sombra que eu tanto queria e não sabia como fazer.

 

Exemplos de como misturar cores com o lápis de cor

 

Não tenha medo de misturar as cores

“Não tenha medo de misturar cores” se tornou o meu novo lema. Essa é a melhor forma de criar tons no desenho. Sabe aquela linda transição de uma cor para outra? Nós podemos conseguir esse efeito apenas misturando as cores. Como eu faço isso? Eu escolho três cores (pelo menos) da mesma “família”: uma clara, uma média e uma mais escura. Começo pintando com a mais clara, depois acrescento a cor média e finalizo com a mais escura por cima. Muitas vezes, você consegue o mesmo efeito usando o mesmo lápis, apenas alterando a força ao colorir. Quando eu misturo cores que combinam, o efeito fica muito bonito e eu gosto bastante do resultado. Eu adoro misturar, por exemplo, tons de azul com rosa ou lilás, amarelos com laranjas e marrons, ou verdes com azul.

Se você não quer textura, use uma folha de papel lisa

Quando comecei a desenhar, qualquer textura diferente no desenho me incomodava muito. Uma parte de mim pensava que essas texturas não eram “profissionais”. Hoje em dia, penso diferente: vejo pequenas texturas e detalhes como personalidade do desenho. Mas, mesmo gostando bastante desses pequenos detalhes, eu entendo que em alguns momentos tudo o que queremos é um desenho com cores bem uniformes. E, com o lápis de cor, a melhor forma de fazer isso é usar uma folha de papel lisa, sem nenhuma textura. O efeito das sombras fica super homogêneo e o resultado é muito bonito. Apenas tome cuidado para não apagar muito o papel no momento de fazer o rascunho do desenho. Folhas lisas costumam marcar com muita facilidade e, ao passar o lápis de cor, as linhas marcadas no papel aparecem como que num passe de mágica. Por isso, use a mão leve e um lápis macio, que costuma não marcar muito o papel.

Dica extra: finalize com lápis de cor branco ou use um esfuminho

Eu sempre me perguntei: mas por que colocar um lápis branco na caixa de lápis de cor?! E agora eu sei a resposta. Ele serve para misturar as cores, e não para colorir de fato. Pintou usando as suas três cores e quer finalizar o desenho? Passe o lápis branco por cima e observe o resultado! Outra ferramenta que me ajuda muito a deixar o desenho sem marcas e a misturar as cores é o esfuminho. Para quem não conhece, o esfuminho parece um palito e eu acho que ele é feito de papel. O objetivo dele é esfumar o traço, criando sombras e diversos efeitos diferentes. Ele é muito usado em desenhos realistas e eu adoro usá-lo para misturar as cores com lápis de cor. Para usá-lo, basta passá-lo por cima da parte desejada e pronto. Mas, se você não tiver lápis branco ou esfuminho, um cotonete ou um pedacinho de algodão já ajuda bastante 😉

Essas foram as minhas três dicas para pintar com lápis de cor! Eu sinto que ainda tenho muito o que explorar usando esse material, mas por hoje é isso. Nos vemos no próximo desenho.

Até a próxima,

Thaís Melo

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sexta-feira, 30 de janeiro de 2026

Três formas de deixar os seus exercícios para desenho mais divertida

 

Exercícios para desenho com papel quadriculado

Particularmente, eu nunca fui muito fã de fazer exercícios para “melhorar” o meu traço. Honestamente, eu achava esses exercícios uma tarefa chata e muito repetitiva; além do mais, eu detestava “gastar” material fazendo exercícios ao invés de estar trabalhando em um desenho de fato. Mas isso não significa que esses exercícios não sejam importantes na hora de desenhar. Exercícios de desenho ajudam a melhorar o meu traço e, consequentemente, melhoram o resultado final dos meus desenhos. Então, ao invés de reclamar na hora de repetir traços aleatoriamente, eu criei três estratégias que me fazem querer fazer esses exercícios, sem parecer exercícios de fato.

“Aquecer a mão” antes de desenhar

A prática que mudou muita coisa para mim foi “aquecer” a mão antes de começar um desenho. O que seria isso na prática? Seria fazer alguns desenhos mais simples antes de começar algum desenho. Isso de fato ajuda, pois deixa a mão mais “solta” e o traço fica mais fluido. Isso me ajuda muito, principalmente quando eu vou fazer um desenho com ink, por exemplo, que naturalmente é um tipo de desenho em que o traço influencia muito no resultado final.

 

Exercícios para desenho usando folha A4

 

A técnica da folha de papel A4

Outra maneira de fazer isso sem sentir que está fazendo um exercício de desenho é desenhar pequenos desenhos aleatórios em um papel antes de começar. Eu, por exemplo, tenho uma folha de papel A4 voltada para desenhos aleatórios. Nessa folha eu rabisco, faço desenhos mais rápidos e, assim, além de exercitar o meu traço, eu acabo aquecendo a mão e, algumas vezes, crio sem querer um desenho completo. É uma prática que eu uso bastante e costumo ter uma folha A4 por semana. Algumas vezes eu uso mais de uma folha, outras eu nem completo uma folha, mas o mais importante aqui é fazer um desenho rápido antes de começar um desenho mais detalhado.

 

Exercícios para desenho com papel quadriculado

 

Papel quadriculado pode ser o seu melhor amigo

Outro grande aliado na hora de fazer exercícios para desenho é usar papel quadriculado. Eu gosto muito de desenhar com ink e canetas e, para esse tipo de desenho, praticar o meu traço se tornou uma parte importante do processo. Usar o papel quadriculado, além de criar mais estrutura na hora de repetir o mesmo traço, me permite fazer pequenas “estampas” no papel, algo que deixa todo o exercício mais lúdico e divertido.

Essas são as três formas que eu faço exercícios para desenho e que não me fazem sentir que estou fazendo exercícios. Eu não uso todos eles ao mesmo tempo; existem semanas em que estou trabalhando mais com ink, então eu uso mais o papel quadriculado. Nas semanas em que eu trabalho mais com aquarela, eu prefiro usar o método da folha A4 e, assim, sigo usando o que for melhor para mim.

Mesmo que não seja a minha parte favorita na hora de desenhar, com o tempo eu percebo que praticar é muito importante. Então, por que não deixar essa parte do processo um pouco mais divertida?

Até a próxima,

Thaís Melo

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sexta-feira, 23 de janeiro de 2026

Aquarelas em formato A5 é a minha forma favorita de praticar aquarela.

 

 
Ao criar o desenho desta semana, eu quis testar novas combinações de cores com aquarela. Na hora de fazer esses testes, eu tenho gostado bastante de usar uma folha A5 ao invés de uma folha A4.

É um detalhe muito simples, mas fez toda a diferença para mim! Em primeiro lugar, quando eu vou fazer um teste, ao invés de ter um resultado incerto numa folha A4, eu tenho duas chances ao cortá-la ao meio, transformando-a em duas folhas A5. Isso tirou a pressão que às vezes eu sentia de “não desperdiçar material”. Não me entendam mal: toda a prática dentro da arte é benéfica, mas, honestamente, papel para aquarela não é algo barato e, muitas vezes, podemos ficar com receio de “errar” e até mesmo ter medo de “desperdiçar” o material. Toda essa preocupação, infelizmente, nos impede de criar algo legal e de experimentar ideias novas. Então, cortar uma folha de aquarela A4 em duas (tamanho A5), ou até mesmo em quatro partes na hora de testar algo novo, é uma ótima forma de criar sem essa pressão. E esse novo formato tem sido ótimo para mim.

Eu tenho feito isso há mais ou menos seis meses e, além de ter experimentado várias técnicas novas e misturas de materiais, eu tenho adorado ver o resultado final dessas pequenas aquarelas.

Nesta semana, eu criei mais uma leva de cogumelos coloridos com aquarela e lápis de cor. Desta vez, eu quis testar combinações diferentes de cores, como, por exemplo, tons mais quentes com toques de neon (cogumelo laranja) e até mesmo tons frios e quentes com cores que se complementam (cogumelo roxo e amarelo). O resultado foram esses simpáticos cogumelos, com uma mistura muito interessante de cores.

Até a próxima,

Thaís Melo

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sexta-feira, 16 de janeiro de 2026

Aquarela Juminos Totem. Primeiro fan-art do ano

 

Aquarela Jumino Totem

 

O desenho que eu fiz esta semana foi uma releitura em aquarela de uma arte digital que eu fiz, talvez em 2024, chamada Juminos Totem. Essa arte foi inspirada no jogo indie Stardew Valley, um dos meus jogos favoritos.

Eu estou trabalhando para melhorar as minhas habilidades com o uso de aquarela e tenho gostado bastante de misturar aquarela com lápis de cor. O lápis de cor traz mais textura ao desenho, e isso cria um efeito de profundidade que eu tenho gostado de observar depois que o desenho está pronto.

Para este desenho, eu usei a mesma técnica que tenho usado com os meus cogumelos. A base foi toda pintada com aquarela, e os retoques de cor e o contorno foram feitos com lápis de cor. O resultado foi uma arte muito simpática, que me lembra bastante os Juminos originais.

Até a próxima,

Thaís Melo

 

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quinta-feira, 15 de janeiro de 2026

Primeiro desenho de 2026 – Cogumelos, aquarela e lápis de cor

 

Aquarela Cogumelos Coloridos - 2026

  

Começo este post desejando um criativo 2026 para todos! Que seja um ano com muitas ideias, cores e descobertas para todos nós.

Em 2025, meu trabalho se dividiu entre aquarelas, arte digital e muitos cogumelos. Eu não sei se já comentei isso por aqui, mas eu adoro desenhar cogumelos! Eles são divertidos e me permitem criar livremente, sem me prender muito a cores e padrões “reais”. Além disso, usar um traço mais orgânico misturado à aquarela e ao lápis de cor para dar acabamento resultou em algo que eu tenho gostado bastante.

O primeiro desenho do ano seguiu a temática que me guiou durante toda a segunda metade de 2025: cogumelos. Para essa aquarela A4, eu misturei a aquarela Pentel com a aquarela Artools. Tenho gostado bastante de combinar essas duas paletas, pois consigo um efeito diferente ao misturar tons um pouco mais quentes na base do desenho com tons mais frios e quase neons, criando um efeito de brilho. Para finalizar, usei tinta acrílica branca com efeito fosco e fiz o contorno e o sombreamento com lápis de cor. O resultado foi uma aquarela lúdica e muito colorida.

Um feliz e criativo 2026!

Nos vemos no próximo desenho =)

Até a próxima,
Thaís Melo

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segunda-feira, 1 de dezembro de 2025

Como escolher as cores para a sua aquarela

Um guia simples para entender tons frios, tons quentes e montar paletas mais harmônicas.

 
Aquarela Cogumelos Arco-Íris
 

Quando começamos a pintar em aquarela, é comum olhar um desenho pronto e se perguntar como o artista chegou naquela combinação de cores. Por mais que seja interessante pintar apenas seguindo a inspiração, na prática, para termos um bom resultado final, precisamos pensar um pouquinho nas cores que vamos usar. Às vezes, desenhar é como criar uma receita nova. É divertido experimentar ingredientes diferentes, mas precisamos entender se eles funcionam juntos. Por isso, pensar nas cores antes de começar faz toda a diferença.

Tons frios e tons quentes. O quanto isso é importante?

Quando eu penso em cor, sempre me lembro do círculo cromático. Ele é útil para entendermos como as cores se comportam dentro do círculo e quais combinações costumam funcionar. Mas, para mim, o mais importante na hora de escolher as cores é decidir se a minha paleta será fria ou quente. O que isso significa? Quando você usa cores que têm a mesma temperatura, o resultado final tende a ficar mais harmonioso.

 

Cores quentes

 
Cores frias

 
Vou usar alguns dos meus desenhos com cogumelos para ilustrar essa diferença. No primeiro desenho, eu usei uma paleta quente. Perceba como as cores parecem mais terrosas e avermelhadas. Eu chamaria essa paleta de outonal, e o resultado foi um desenho com um ar cozy e “quentinho”. Já no segundo desenho, eu usei uma paleta mais fria. Note como o resultado final tem um ar mais “fresco”. Observar esse detalhe mudou completamente a forma como eu escolho as cores hoje.

Como identificar tons frios e tons quentes?

Honestamente, eu não tenho uma técnica infalível. A melhor forma que encontrei foi observando as cores antes de pintar e praticando nos desenhos. Aprender a identificar a temperatura das cores não só deixa o resultado mais harmonioso, como também ativa sua criatividade e sua observação. Com o tempo, você passa a reconhecer a temperatura logo no primeiro olhar e uma paleta inteira começa a se formar naturalmente na sua cabeça.

Exercício prático: como treinar o olhar para tons frios e quentes

A melhor forma de aprender continua sendo praticar. Um bom exercício é pegar o material que você usa para colorir (aquarela, lápis de cor, canetas, etc.) e comparar as mesmas cores entre si. Se você tiver materiais de marcas diferentes, observe as diferenças entre elas. Muitas vezes a diferença é sutil, mas, com a prática, identificar a temperatura das cores se torna algo natural — e isso se reflete nos seus desenhos.

Até a próxima,
Thaís

Para saber mais

Aquarela - Parte I - Um Guia Básico com Técnicas e dicas

Materiais citados neste post:
Aquarela Pentel 
Aquarela Misci 
Kit Pincel Aquarela Keramik